País do futebol?

Santos e Corinthians jogaram uma semifinal de Libertadores, anteontem, para plateia de 16 mil pessoas. No domingo, São Paulo e Santos disputaram clássico num Morumbi vazio, sem parte dos principais atletas, pelo Brasileirão. Nas últimas semanas, nossa seleção entrou em campo quatro vezes, uma na Europa, três nos EUA, nenhuma aqui.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h03

Podemos dizer que vivemos no País do futebol? Desde 1894, quando Charles Miller trouxe da Inglaterra duas bolas, um livro com as regras do esporte e um par de chuteiras, convivemos com incoerências administrativas, desorganização e desmandos por interesses secundários. Já invadimos o século 21, entramos há tempos na "era do profissionalismo", falamos em parcerias e gestões modernas, mas a verdade é que pouca coisa mudou.

Somos, de fato, o País do futebol dentro das quatro linhas e graças ao talento de nossos jogadores, ao trabalho dos treinadores e à visão de alguns poucos dirigentes e empresários. A perspectiva de evolução nas esferas do poder bate à nossa porta, mas na prática não sai do papel.

Não seria muito mais interessante a realização de dois superclássicos Santos x Corinthians no Morumbi com 120 mil torcedores, em vez de um jogo na Vila e outro no Pacaembu para 50 mil? As picuinhas envolvendo cartolas corintianos e são-paulinos têm tirado grandes partidas do principal estádio de São Paulo. O maior prejudicado, como sempre, é o torcedor, além dos cofres dos próprios clubes.

Decisões amadoras como essa impedem milhares de pessoas de ver duelos históricos como o de anteontem e "obrigam" os dirigentes a aumentar o preço dos ingressos para minimizar o impacto do lucro perdido. O Santos poderia ao menos ter mandado seu jogo no Morumbi, como pretendia inicialmente, mas, como troco ao Corinthians, resolveu receber o rival na Vila Belmiro. A escolha foi infeliz.

Privou boa parte de seu público de prestigiar a equipe e ainda viu o ferrolho corintiano anular Neymar no apertado campo da Baixada. O placar adverso de 1 a 0 é perfeitamente reversível, principalmente se Neymar recuperar o encanto, mas bater o motivado Corinthians no Pacaembu será missão ingrata.

Outra tolice é o esvaziamento do início do Brasileirão. A principal competição do País é empobrecida justamente pela CBF, a entidade que a organiza. Tem cabimento a disputa começar em meio a fases finais de Libertadores e Copa do Brasil? Para resolver o velho problema, bastaria melhorar o calendário e diminuir os longos e decadentes Estaduais. A questão é como lidar com os conchavos políticos.

E a seleção, que nunca se apresenta no Brasil? Marin promete trabalhar para, em breve, trazê-la de volta ao País. Talvez seja tarde, porque o interesse do torcedor pela amarelinha despencou nos últimos anos. Bem, olhemos pelo lado positivo. A distância da equipe nos livrou, no último amistoso, de ver de perto o baile de Messi, esse gênio que a cada dia se torna mais espetacular.

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