País pode ser representado por uma russa na esgrima

A expectativa de disputar os Jogos Pan-Americanos pela primeira vez enche de esperança a esgrimista Karina Lakerbai, de 18 anos, que compete com o sabre. A atleta nasceu na Rússia e veio para o Brasil quando tinha 6 anos. Nunca pôde competir como brasileira porque não podia se naturalizar até atingir a maioridade. Com o documento em mãos há pouco mais de um mês, espera realizar o sonho no Pan.Karina não tem vaga assegurada ainda, mas é a primeira do ranking brasileiro no sabre. Em junho, deve disputar uma seletiva para definir a vaga. ?Só de pensar que poderei, de verdade, competir no Pan, fico ansiosa. É como se uma bola cheia de alegria crescesse aqui dentro e fosse explodir a qualquer hora.?A atleta começou a jogar aos 13 anos. ?Vim para o Brasil em 1995, com 6 anos. Comecei a competir porque meu pai dava aula na Federação Paulista. Depois, ele abriu a Academia Paulista de Esgrima.? Alkhas Lakerbai, pai de Karina, foi atleta juvenil da equipe da União Soviética até 1980 e hoje é um dos técnicos da seleção brasileira. ?Vejo a Karina muito mais feliz com a chance de poder representar o Brasil no Pan. Antes, ela não podia por causa da naturalização. Agora, está treinando com muita alegria. Nem se lembra muito da Rússia, é muito mais brasileira?, afirma.Três vezes por semana, durante quatro horas, Karina se empenha para aprimorar a parte técnica. ?E outras três trabalho a parte física, com exercícios do atletismo. Os treinos do meu pai são sempre em russo para eu não esquecer o idioma. Ele é muito profissional e exigente. Em casa, evitamos falar de esgrima para não brigarmos.?Karina não conhece as rivais que enfrentará caso se classifique para o Pan. ?Não sabemos das seletivas ainda. Nunca disputei uma competição internacional, mas sei que as americanas são as mais fortes. Meu pai viaja pelo mundo e traz algumas fitas para eu ver.?A maior preocupação da esgrimista são os atrasos nas obras do Pan. ?Se não arrumarem a parte estrutural pesada logo, poderemos ter problemas nos ginásios. No Pan de 2003, em São Domingos, vários atletas passaram mal por causa do calor.? Alkhas, técnico de sabre da seleção brasileira, emenda: ?Em São Domingos só havia ar condicionado na sala de treinamento. No ginásio de competição, com quase 40 graus, os atletas passavam mal.?A esgrima do Brasil não conquista uma medalha em Pans desde o bronze por equipes no masculino (espada) na Cidade do México, em 75. Agora, Alkhas está otimista. ?Podemos ver a evolução da esgrima aqui pelo número de representantes em Olimpíadas. Em Atlanta (96), o Brasil não teve ninguém na esgrima. Em Sydney (2000) teve um e em Atenas (2004) foram 4. Temos muito mais chances hoje do que em São Domingos.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.