País terá 2 atletas no Mundial de Boxe

No ano do pentacampeonato de futebol e da inédita conquista do vôlei masculino, o Brasil embarca sexta-feira para outro Mundial, mas desta vez com muito menos badalação. De 21 a 28 de outubro, em Antália, na Turquia, acontece o Campeonato Mundial de Boxe Feminino, e o Brasil enviará apenas duas representantes: Ana Paula Lúcia dos Santos (60 kg) e Maria Luciene de Oliveira (70 kg), a Maria Marreta.A princípio, o País contaria com cinco pugilistas, mas a verba que seria destinada pelo COB para levar a delegação acabou transferida para os Jogos Sul-Americanos. Ana Paula e Maria Marreta só estão indo graças a patrocinadores. Maria Marreta é bancada pelo governo do Amazonas e Ana Paula, assim como treinador Gabriel de Chalot e Cidinha Oliveira, chefe da delegação, contaram com o suporte da Oi, empresa de telefonia celular, e da Auto Peças Gatto, de Santos.A superpesado Cristiane Valério Nascimento (91 kg) também negociou a ida ao Mundial, mas nos últimos dias, por falta de verba, ficou de fora. "É uma pena. Queria que fossem as cinco meninas pré-selecionadas, elas estavam muito empolgadas. Mas infelizmente não deu. Pelo menos estamos indo com duas", afirma Cidinha, diretora de boxe feminino da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe).Este é o segundo Mundial feminino e a primeira participação brasileira. Embora esteja indo em busca de experiência, o Brasil deposita em Ana Paula, de 24 anos, alguma chance de ganhar medalha. Atual campeã brasileira, a peso-leve começou lutando muay-thai, passou pelo kickboxing e jiu-jítsu. Este ano, com o apoio da Academia Combat, dedica-se só ao boxe. "A Combat me apóia, me dá uma ajuda financeira. Sempre lutei diferentes esportes, mas agora me dedico só ao boxe, que está se estruturando melhor no Brasil."Quem acompanha sua carreira garante que ela tem chances no Mundial. "Os resultados provam que ela é uma grande lutadora. Dentro do ringue parece homem, parte para cima", comenta o técnico da equipe. Mas ele ressalta que não sabe o que virá do corner adversário. "É tudo uma incógnita. Tanto para nós quanto para os outros países. Ninguém se conhece."Preparador pessoal de Ana Paula e seu namorado, Francisco "Lenhador" também acha que a brasileira pode surpreender. "Em muay-thai e no boxe, pode colocar qualquer uma do outro lado que ela encara", desafia Francisco, que também faz as vezes de "sparring" da pugilista. "Ela bate forte, saio bem machucado. Mas eu também não alivio. Afinal, ela tem de estar bem preparada."E ele não é o único homem que sobe com Ana Paula no ringue. Sem muitas mulheres praticantes de boxe, a boxeadora recorre muitas vezes a lutadores para treinar. "Na Combat, treino contra os homens. Alguns acima do meu peso, outros do mesmo peso. E eles batem mesmo, não querem saber. Fico com o olho roxo", diz Ana, sem querer que ninguém sinta pena dela. "Tem de ser assim. E eu me defendo. Machuco eles também."Segundo a diretora Cidinha, a pugilista é mesmo quem tem mais chance de ir longe. E ela espera uma medalha, nem que seja de bronze, para alavancar o boxe feminino no Brasil. "A estrutura do Boxe Feminino hoje está muito melhor do que no passado. Em julho, fizemos até um Campeonato Brasileiro, com 30 participantes. Mas uma medalha no Mundial iria melhorar ainda mais, trazer mais patrocinadores", diz Cidinha. "A Ana Paula tem mais chances de conseguir essa medalha. Mas a Maria Marreta também pode ir bem, estamos torcendo."Ana Paula confessa que sente um pouco de responsabilidade, mas diz que a vontade de fazer história é maior do que a pressão. "O pessoal está confiante, sinto uma responsabilidade grande, mas quero muito conquistar uma medalha. Deus está comigo", afirma a pugilista, que é evangélica.Maria Marreta, meio-médio, que mora e luta no Amazonas, é uma incógnita, assim como as atletas dos outros países. "Vimos pouco a Maria Marreta. Não sabemos o que esperar dela e das adversárias. Sei que lutadoras do Casaquistão, Rússia e Ucrânia são muito boas. Mas o nível do Mundial não deve ser dos mais fortes, já que o boxe feminino tem pouco tempo de desenvolvimento", analisa Gabriel Chalot.

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