Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Paixão, sofrimento e glória de 'Maravilla'

Argentino fratura a mão e derrota inglês no estádio do Velez com 40 mil torcedores

Wilson Baldini Jr., O Estado de São Paulo

29 de abril de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - A vitória do boxeador Sergio "Maravilla" Martinez, sábado à noite, no Estádio José Amalfitani, em Buenos Aires, diante de 40 mil espectadores, poderia virar facilmente tema para mais um tango de sucesso. Paixão, amor e sofrimento foram as notas que compuseram a primeira defesa de título mundial dos médios, versão Conselho Mundial de Boxe, do melhor pugilista argentino da atualidade, diante do britânico Martin Murray.

Martinez conseguiu atingir seus três objetivos: manter o cinturão, colocar o boxe argentino em destaque nas manchetes dos jornais, superando o futebol, e levar um grande público ao Estádio do Vélez Sarsfield. "Maravilla" teve sucesso, mas sofreu demais. Os três jurados foram unânimes em apontar o lutador da casa como vencedor por 115 a 112, após 12 rounds muito disputados.

O argentino precisou, além da técnica, extravasar o sentimento de orgulho patriótico e o incrível espírito de luta dos argentinos. Visivelmente ainda não recuperado das contusões sofridas no histórico triunfo sobre o mexicano Julio Cesar Chavez Jr., em setembro do ano passado, em Las Vegas, Martinez, que é canhoto, teve fratura na mão esquerda logo no segundo assalto. Apesar disso, esteve melhor nos quatro primeiros rounds. Mas Murray, de estilo ortodoxo, forte e concentrado, passou a dominar o combate após o quinto assalto e até chegou a derrubar o campeão no oitavo, com uma forte direita, por coincidência o round em que Martinez prometera encerrar a luta com nocaute.

Nos últimos dois rounds, Martinez buscou forças em sua alma para reequilibrar a luta, sob os gritos alucinados dos fãs, que não arredaram pé do estádio apesar da chuva incessante em Buenos Aires. Sob os gritos de "Argentina, Argentina", que vinham das arquibancadas, Martinez trocou socos sem parar com o valente rival, o que levou o público a festejar como se fosse um gol do Boca Juniors ou do River Plate.

"Toda esta gente me ajudou a lutar com uma mão", disse Martinez, muito emocionado, em cima do ringue. "Gostaria de agradecer um por um. Caí, mas sabia que iria levantar e vencer, A força que senti das pessoas me tornou invencível", disse o argentino, que não lutava em seu país havia 11 anos. Ele não considerou esta sua luta mais difícil. "Foi a mais emocionante, pela multidão que esteve aqui."

Maravilla, de 38 anos, soma 51 vitórias (28 nocautes), dois empates e duas derrotas na carreira. No vestiário, seus agentes informavam que ele passará por novos exames no joelho e só voltará aos ringues em 2014.

SIMPÁTICO

Murray, de 30 anos, reclamou e teve o apoio dos jornalistas britânicos, que estamparam "roubo" em algumas manchetes de sites ingleses. O britânico, que perdeu pela primeira vez, após 27 lutas, deseja uma revanche na Inglaterra. Mas, demonstrando grande espírito esportivo, Murray abraçou e beijou a mãe de Sergio Martinez, Suzana, logo após o anúncio do resultado da luta.

Na Argentina, a audiência da luta atingiu 46 pontos. Os torcedores deixaram o estádio, ainda debaixo de chuva, sob um buzinaço, aos gritos de "Argentina" e "Maravilla". O dever de Sergio Martinez estava cumprido. O boxe argentino está mais vivo e respeitado do que nunca.

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