Palmeiras acaba com a era Felipão

Em crise profunda e afundado na zona do rebaixamento, clube manda embora o técnico, que foi campeão da Copa do Brasil há pouco mais de dois meses

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h13

Um casamento cheio de altos e baixos, em que alegrias e tristezas foram vividas com a mesma intensidade, chegou ao fim ontem. Após dois anos e três meses de confusões, volta por cima e um título histórico, Luiz Felipe Scolari deixa o Palmeiras pela porta dos fundos e com a ameaça de ficar rotulado como o responsável por mandar o Alviverde de volta à Série B do Brasileiro, após dez anos da primeira queda.

A demissão de Felipão foi lenta e sofrida para todos os envolvidos na negociação. O treinador deixa o clube na penúltima colocação do campeonato, com apenas 20 pontos, sete a menos do que o melhor time fora da zona de rebaixamento, o Flamengo. Alguns membros da diretoria pensaram em dispensá-lo há algumas rodadas, mas adiaram a decisão. Ontem, não teve jeito. E falar para Felipão que ele estava demitido não foi fácil.

Além do técnico, quem também deixa o clube é seu auxiliar, Flávio Murtosa. Outro aliado do treinador, o coordenador técnico Galeano continua na equipe, por enquanto. A alegação é que ele é funcionário do clube e não membro da comissão técnica trazida pelo treinador, já que estava no Palmeiras quando Felipão chegou, em julho de 2010.

Na segunda-feira, o gerente de futebol César Sampaio garantiu apoio total ao treinador e disse que não cogitava uma demissão. Mas após a derrota (3 a 1) para o Vasco, na quarta-feira, o presidente Arnaldo Tirone e Sampaio concluíram que o ideal seria demitir o treinador.

Ontem à tarde, antes mesmo de iniciar a reunião para definir a situação do técnico, Tirone e Sampaio já não tinham mais tanta certeza se essa seria a melhor decisão.

A intenção deles era mantê-lo no cargo e caso o Palmeiras perdesse no domingo o clássico para o Corinthians, aí, sim, seria o fim da linha para o treinador.

A surpresa foi que, durante a reunião, Felipão entregou novamente o cargo, como havia feito durante o Campeonato Paulista, e desta vez os dirigentes aceitaram sua decisão. Oficialmente, houve uma decisão em comum acordo. Consumada a saída, o treinador foi se despedir dos jogadores titulares, que faziam relaxamento muscular, e dos reservas que estavam no gramado.

Esta foi a segunda passagem de Felipão pelo Palmeiras. Em 155 jogos, foram 66 vitórias, 46 empates e 43 derrotas, o que dá um aproveitamento de 52,47%. Em 26 meses no comando da equipe, o treinador conquistou a Copa do Brasil neste ano.

Novo treinador. A meta dos dirigentes agora é correr atrás de um salvador da pátria que evite o rebaixamento do time. A diretoria acredita que a mudança possa dar um novo ânimo aos atletas, que já não tinham mais um relacionamento tão bom com o treinador como era durante a Copa do Brasil. O fato curioso é que ontem nenhum jogador deixou de treinar por problemas musculares, como vinha acontecendo.

O nome mais cotado e que se encaixa perfeitamente com o que a diretoria quer neste momento para assumir a equipe é Emerson Leão. O treinador é conhecido pela autoridade e por dar um "choque" no elenco quando chega a um novo clube. Em entrevista ao Estado, ontem, o atual técnico do São Caetano negou que tenha sido procurado, mas não descartou a possibilidade de mudar de clube.

"Sou muito amigo do Felipão e do Tirone (Arnaldo, presidente do Palmeiras). O que existe é isso, nada mais. Ninguém me procurou e minha preocupação é montar o time para o jogo contra o América (de Natal, hoje). Minha ligação com o Palmeiras é ser amigo do Tirone. Nada mais", disse Leão.

Para sair do São Caetano, Leão teria de pagar uma multa, de valor não revelado. A vontade em contar com o treinador é tão grande que o Palmeiras estaria disposto a negociar com o time do ABC para que ele saísse por um valor menor do que o contrato determina como multa. A boa relação entre as diretorias dos dois clubes, pelas constantes trocas de jogadores, pode facilitar a negociação.

Mas a rejeição de Leão entre a torcida é muito grande. Nas mídias sociais, torcedores pediam ontem que Tirone não contratasse o ex-goleiro.

Outro nome forte é Jorginho, que está no Bahia. Dirigentes do Palmeiras ligaram ontem à noite para o treinador para saber se ele tem interesse em assumir o time. Jorginho disse que conversaria com os dirigentes do clube baiano e que ainda hoje daria uma resposta. O técnico é bem avaliado pelos palmeirenses. Ele dirigiu a equipe em 2009, quando Luxemburgo foi demitido, e conquistou seis vitórias em seis jogos no Brasileirão até a chegada de Muricy Ramalho.

O Palmeiras enfrenta o Corinthians no domingo, no Pacaembu, e depois terá uma semana livre, pois não joga no meio da semana que vem. A intenção dos dirigentes é que até quarta-feira da semana que vem já consiga fechar a contratação de um novo treinador.

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