Palmeiras chora a sua nova queda

Antes mesmo do jogo entre Portuguesa e Grêmio os palmeirenses já escancaravam o seu desespero

DANIEL BATISTA , ENVIADO ESPECIAL , VOLTA REDONDA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h02

Não foram apenas os torcedores do Palmeiras que choraram ontem. Jogadores, integrantes da comissão técnica e da diretoria também transformaram em lágrimas a vergonha e a frustração que sentiam. E eles nem esperaram o resultado do jogo entre Portuguesa e Grêmio. A ficha caiu para os palmeirenses antes mesmo de o rebaixamento para a Série B ser sacramentado.

O sofrimento era visível. O atacante Maikon Leite, por exemplo, chorou como se estivesse vivendo o pior momento de sua vida. Afinal, no segundo tempo ele perdeu uma chance incrível de marcar o gol que provavelmente garantiria a vitória à equipe. Ao apito final do árbitro, alguns jogadores deitaram no chão e escancararam o seu desespero.

Nem mesmo o gerente de futebol César Sampaio e o presidente Arnaldo Tirone seguraram a emoção - eles deram entrevistas no vestiário com os olhos cheios de lágrimas. Claramente os dois não sabiam o que dizer, pois tinham a consciência de que também tiveram culpa pelo vexame protagonizado pelo time alviverde no Brasileiro.

O técnico Gilson Kleina se segurou, mas o abatimento era impossível de ocultar. "Nós vamos cair em pé, pois sempre mostramos vontade de vencer. Ninguém aqui vai abaixar a cabeça. O clima é de velório, todo mundo chorou no vestiário, mas vamos nos reerguer."

Embora o Palmeiras ainda tivesse um fio de esperança quando terminou o jogo contra o Flamengo, ninguém tinha ânimo para demonstrar algum otimismo. "Tentamos de tudo. Agora temos de virar a página", disse Barcos, com a voz embargada. "Nós somos os culpados. Não podemos transmitir a responsabilidade para ninguém."

O argentino, um dos poucos jogadores que ainda têm o respeito da torcida, pediu a ela que poupe os jogadores mais jovens de cobrança. "Valeu pelo sacrifício dos meninos que colocaram a cara aqui para jogar. Eles precisam ser respeitados."

Formado nas divisões de base do Palmeiras e, portanto, profundo conhecedor do clube, o goleiro Bruno disse acreditar que o elenco tem condições de reagir na temporada que vem. "Nosso time só tem homem e mais uma vez foi mostrado isso. Vai todo mundo andar de cabeça erguida porque a queda não aconteceu por covardia."

O time voltou para São Paulo escoltado por quatro carros da Polícia Federal.

Falta de sorte. Como já é praxe no Palmeiras, o time ontem teve tudo para ganhar o jogo, mas ficou no quase e isso levou Gilson Kleina a se queixar da má sorte.

"Claro que nessa hora parece ser desculpa, mas é impressionante o azar que tivemos", disse o técnico. "Mas sou religioso e tenho certeza que algo bom está reservado para o Palmeiras."

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