Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Palmeiras começa bem a Libertadores e vai embalado para o clássico

Time mostra raça contra o Sporting Cristal e sai recompensado com o reconhecimento da torcida

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h06

SÃO PAULO - Um velho ditado do futebol se enquadra perfeitamente para o momento vivido pelo Palmeiras: "A melhor defesa é o ataque". Ontem isso ficou claro na vitória por 2 a 1 sobre o Sporting Cristal, na estreia da equipe na Taça Libertadores. Antes do jogo, o clima era de apreensão e desconfiança, já que o time tinha graves problemas no setor ofensivo. Mas se esqueceram que o Alviverde tem defensores que sabem muito bem como balançar as redes adversárias.

Quem comprovou o ditado foi o zagueiro Henrique, responsável por abrir o placar. Foi o quarto gol dele no ano, número que o coloca como goleador da equipe na temporada. Mas o torcedor palmeirense pelo jeito vai ter que se acostumar a ver marcadores evitando e fazendo gols. Nos últimos quatro jogos, o Palmeiras fez nove gols e oito deles foram de volantes ou zagueiros. Patrick Vieira foi a exceção.

Henrique fez quatro (um ontem, outro no Atlético Sorocaba e dois contra o XV de Piracicaba), Márcio Araújo, três (Atlético Sorocaba, XV de Piracicaba e Mogi Mirim), e Souza, um (Mogi Mirim), completam a surpreende lista. Essa foi, talvez não proposital, a forma encontrada por Gilson Kleina para amenizar o prejuízo com a falta de um goleador. Ontem, o treinador congestionou o meio de campo, com Souza chegando mais à frente pelo meio, Patrick Vieira caindo pela direita e Vinicius pela esquerda.

O problema é que ninguém assumia a responsabilidade de concluir para o gol e o time só conseguia chegar em jogadas individuais. Na defesa, o time estava bem postado e o único que destoava era o zagueiro Vilson que, improvisado como volante, ficou perdido em campo e errou muitos passes.

E a dificuldade em abrir o placar com a bola rolando fez com que todas as fichas fossem apostadas nas bolas paradas. Patrick Vieira era quem mais carregava a bola e cheio de vontade cavava falta ou uma jogada de escanteio. Aos 39, conseguiu. Wesley cobrou escanteio, Henrique saltou livre e, com uma cabeceada forte e de quem estava confiante, abriu o placar. A torcida, nervosa pelas chances perdidas e pelo placar em branco, estourou e fez grande festa no Pacaembu.

O gol encheu o time alviverde de confiança. Aos 44, Souza cobrou escanteio, Álvarez tentou cortar, mandou na trave e quase fez contra. No minuto seguinte, Souza arriscou uma meia bicicleta e embora tenha jogado a bola para fora, recebeu aplausos de todo o estádio,

Sangue frio. Na volta para o segundo tempo, o Sporting Cristal se mostrou mais ligado e aproveitou do primeiro erro da defesa alviverde para empatar. Aos 6, Lobatón foi derrubado dentro da área por Marcelo Oliveira. O peruano bateu e empatou.

Vendo que o time poderia sentir o gol e que continuava com dificuldade para finalizar, Kleina tirou Márcio Araújo e colocou o atacante Caio para ter uma referência na área, algo tão sentido ao longo do jogo. E cansado de tantos erros de Vilson, o treinador recuou o jogador para sua posição de origem, a zaga, e avançou Henrique para ser volante, como nos tempos de Felipão.

As mudanças surtiram efeito. Os erros de passes diminuíram e aos 22, após boa jogada de Marcelo Oliveira, Caio recebeu a bola na pequena área e ajeitou para Patrick Vieira encher o pé e marcar o segundo gol. Um chute de um garoto que, assim como os torcedores no Pacaembu, estava receoso de mais uma ver ter que explicar o motivo de sair na frente e não conseguir a vitória.

E com a vantagem, o Alviverde tentou manter a calma, mas sofreu pressão no fim de jogo. Mas, dessa vez, se superou.

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