Palmeiras e Vasco têm 180 minutos de horror

Nas duas partidas que disputaram este ano, times foram incapazes de fazer gol. Ontem, 0 a 0 sob vaias no Pacaembu

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

Vitória é coisa rara na vida de Palmeiras e Vasco neste Campeonato Brasileiro. Com equipes esforçadas, mas carentes de qualidade técnica, os "reis" do empate comprovaram a fama, ontem à tarde, no Pacaembu. Num jogo sonolento, chato como o do primeiro turno, repetiram o 0 a 0 para desespero de quem se dispôs a ir ao estádio. Foi a 11.ª igualdade dos palmeirenses (ganharam apenas cinco), e a 10.ª dos cariocas (seis triunfos), numa prova de que terão de melhorar muito se quiserem brigar por algo que não seja o meio da tabela.

A partida acabou sob sonora vaia dos 16.976 revoltados torcedores e com gritos de "vergonha, vergonha" dos palmeirenses. O time de Scolari buscará a reabilitação na quarta-feira, em difícil visita ao Grêmio, há cinco jogos sem perder na competição. Após quase oito anos, Felipão voltará a receber o carinho da torcida do Grêmio, agora como rival, do lado verde. No mesmo dia o Vasco hospeda o decadente Avaí.

Em 21 rodadas, o Palmeiras soma apenas 26 pontos, com campanha decepcionante, de apenas 41,2% de aproveitamento, estando somente cinco pontos acima da zona de rebaixamento.

Ontem, Felipão abriu mão do esquema recheado de volantes e utilizou uma escalação mais ousada, contribuída pela suspensão de Marcos Assunção e Pierre. Ao lado de Kléber, na frente, estavam Luan e Ewerthon. Em seu centésimo jogo pelo Palmeiras, Valdivia, com a camisa 100, iniciou no banco. "Vivemos um momento especial, mas temos de modificar os resultados", pregou Felipão. Do outro lado, o ainda invicto Paulo César Gusmão dava mostras do que viria pela frente. "Vamos buscar a vitória, mas, fora de casa, somar um ponto é até lucro", avaliou.

Bastou a bola rolar para ficar evidente que dificilmente sairiam gols no Pacaembu. O atacante Kléber, num jogo onde apareceu apenas em duas reclamações de pênaltis não marcado sobre ele com coerência, tentou a primeira finalização e chutou fraquinho. Deola ainda fez uma grande defesa, em raro lance de felicidade dos cariocas, antes do intervalo. Os times não tinham como ir para o descanso se não fosse sob vaias.

Num show de horrores no Pacaembu, o lance que mais sintetizou o jogo e comprovou a falta qualidade dos times aconteceu no começo da segunda etapa. A zaga do Vasco dava o chutão para frente e os palmeirenses respondiam na mesma moeda. Parecia aposta para ver quem chutava mais forte para cima, com cinco provas seguidas de ruindade.

Até o lampejo de qualidade de Ewerthon terminou irritando os torcedores. O atacante arrancou, tabelou com Valdivia - entrou após o intervalo e melhorou um pouco o fraco embate - e, na hora de balançar as redes, chutou para fora. Ao invés de ficar envergonhado com o lance desperdiçado, levantou os braços, pedindo apoio da torcida.

O ala Rivaldo falhou até em cobranças de lateral. Valdivia e também Tadeu, tropeçaram na bola, sozinhos. Ao apito final, as vaias foram bastante merecidas, e o placar de 0 a 0 serviu de nota para as equipes.

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