Palmeiras fracassa e frustra torcida

Time perde para o Goiás por 2 a 1, no Pacaembu lotado, é eliminado de forma surpreendente, vê o sonho de voltar à Libertadores ruir e sai de campo sob vaias

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

O Pacaembu estava lotado, com mais de 36 mil palmeirenses. A noite era para ser de festa, mas o que se viu no rosto dos torcedores foram lágrimas de choro. Lágrimas de tristeza. O Goiás deixou de ser azarão para chegar à final da Copa Sul-Americana. A derrota por 2 a 1 acabou com o sonho do Palmeiras e causará importantes mudanças em 2011.

"A Taça Libertadores é obsessão", dizia um dos versos de uma das músicas entoadas nas arquibancadas do estádio. O Palmeiras estava a apenas três jogos de chegar à competição que venceu em 1999. Aliás, fazia 10 anos que o clube não chegava a uma decisão internacional. Nunca esteve tão perto de conseguir o feito de 2000. Mas tal qual aquele jogo, o que seria festa transformou-se em grande decepção.

A comparação é inevitável. Na decisão da Mercosul de uma década atrás, o Palmeira vencia por 3 a 0 e levou a virada do Vasco. Ontem, o time só precisava de uma igualdade para avançar. Levou a virada e o Goiás agora espera o seu adversário, que sairá do confronto entre Independiente e LDU, que se enfrentam hoje na Argentina - no jogo de ida, os equatorianos ganharam por 3 a 2 e agora dependem de empate.

Contra um time já rebaixado no Brasileiro, o Palmeiras começou melhor, deixando de lado aquele futebol pragmático mostrado nas últimas partidas. Mas como dizem os próprios torcedores, nada com o Palmeiras vem fácil. E o Goiás complicou.

Acostumado a ser o herói da equipe na Sul-Americana, Marcos Assunção teve poucas chances para chutar, para a sorte do goleiro Harlei. Quem arriscou primeiro foi Danilo, que deu uma arrancada e mandou a bola para fora. Depois, Tinga chutou e Harlei conseguiu defender - a bola ainda explodiu na trave.

Lincoln e Kleber buscavam as jogadas na frente. O Palmeiras, bem fechado, tentava o gol por baixo, e não nos cruzamentos característicos do time. Em lançamento perfeito de Edinho, Luan não falhou. Arremate no lado esquerdo e uma ajudinha do goleiro adversário, aos 33 minutos.

O Palmeiras tinha tudo para conseguir a vaga com tranquilidade. Se o primeiro tempo tivesse terminado do mesmo jeito, o Goiás voltaria do intervalo pressionado para virar o jogo. Mas, após bola na trave de Marcelo Costa (Rafael Moura já havia acertado a trave anteriormente), a bola sobrou para Carlos Alberto cabecear e contar com um desvio em Tinga, aos 47. Deola nada pôde fazer.

O Goiás iniciou a etapa final animado. Mais um gol e a classificação mudaria de mãos. O jogo ganhou emoção, com os visitantes no ataque. E o Palmeiras tentou retrucar com as mesmas armas, partindo para cima, mas a tensão era visível no time. Tudo dava errado.

Lincoln e os companheiros já não acertavam mais um passe e a zaga passou a dar espaços. E o torcedor que apoiou sem cansar até o gol de Carlos Alberto perdeu o fôlego em alguns momentos. Para um time que sofreu no Brasileiro até cair para a Série B, o Goiás surpreendeu muita gente no Pacaembu. Jogou com garra e tocou a bola como se estivesse atuando em casa. Aos 37, Marcão cruzou pela esquerda, Rafael Moura ajeitou e Ernando fez 2 a 1. Festa alviverde no Pacaembu - mas do Goiás, não do Palmeiras. O incentivo durou até o apito final. Depois ninguém aguentou e as vaias apareceram. "Time sem vergonha", gritaram muitos.

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