Palmeiras luta para sobreviver à pressão da Arena

Para avançar, time precisa ao menos empatar com o Atlético-PR, irritado com o episódio do racismo, em SP, na semana passada

Bruno Winckler, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A primeira batalha do Palmeiras contra o Atlético-PR terminou como queriam jogadores e comissão técnica do time paulista, com uma vitória sem sofrer gols. Na segunda etapa para avançar às quartas de final da Copa do Brasil, a missão é outra: fazer um gol na Arena da Baixada, hoje, às 21h50, em Curitiba. O discurso é um só: para passar de fase, o Palmeiras precisa colocar uma bola nas redes do Atlético. A vantagem que isso representa é enorme.

Fora do campo, o Palmeiras está preparado para lidar contra qualquer ação mais ofensiva dos torcedores rivais, motivados pelos incidentes do último jogo. O ônibus que levará o time para o estádio será escoltado por quatro veículos com seguranças atentos a qualquer movimentação estranha. "Estamos preparados para tudo", diz o gerente administrativo palmeirense Sérgio do Prado.

Antônio Carlos e os jogadores preferem deixar a polêmica de lado e pensam só no jogo. "Vamos jogar por uma bola. Se conseguirmos fazer um gol daremos um passo importante para nos classificar. Por isso que foi muito bom não sofrer gols em casa", disse o treinador.

O meia Diego Souza quer aproveitar o fato de o Atlético precisar atacar para surpreender o rival nos contragolpes. Tudo por um contra-ataque perfeito, uma bola que garanta a classificação. "Acredito que eles sairão para o ataque o tempo inteiro e a gente vai procurar se beneficiar dos contragolpes. É importante também manter a posse de bola para não dar tantas chances para o Atlético."

Se fizer um gol o Palmeiras se classifica até perdendo por 2 a 1. Se não marcar e o Atlético vencer por 1 a 0 a decisão será nos pênaltis. Dois gols de vantagem, classificam o Atlético.

Antônio Carlos pode até ser um pouco mais ousado hoje. Segunda-feira, no último treino em São Paulo antes da viagem, Diego Souza disse que haveria surpresas na escalação. Figueroa, que jogou no meio na primeira partida, poderia voltar para a lateral-direita abrindo espaço para a volta de Ewerthon ao ataque. Márcio Araújo iria para o banco. Ontem, no Couto Pereira, em Curitiba, Antônio Carlos comandou apenas um treino tático, de posicionamento, que não deu muitas pistas do time.

Cara a cara. O personagem do Palmeiras da última semana está garantido para a partida. Danilo foi liberado pelo STJD e terá de enfrentar toda a pressão da torcida rival por causa do episódio de racismo que protagonizou contra Manoel, em São Paulo. Na ocasião, Manoel pisou no palmeirense após ter levado uma cusparada e ser xingado de "macaco" por Danilo. O atleticano também foi liberado para a partida.

O advogado do Palmeiras, André Sica, esteve ontem na sede do STJD no Rio e conseguiu convencer o presidente do tribunal, Virgílio Val, a negar o pedido do procurador Paulo Schmitt de suspensão preventiva dos dois jogadores para o duelo de hoje.

A argumentação de Sica baseou-se na falta de um relato detalhado na súmula do jogo, assinada pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique, que não viu nada acontecer entre os jogadores.

"Não poderiam aceitar uma suspensão preventiva sem nada estar relatado. Não havia fundamento legal para suspensão", explicou. Os zagueiros, porém, ainda correm risco de suspensão.

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