Palmeiras não aprende. Quem não faz, toma

Time de Felipão cria um punhado de chances de gol, não encaixa nenhum e ainda leva três de[br]Leandro Damião

Paulo Galdieri, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

Quando um time leva 3 a 0 dentro de seus domínios é difícil acreditar, pior ainda dizer, que o resultado foi injusto. Mas foi exatamente isso o que aconteceu com o Palmeiras ontem no Pacaembu.

O time de Felipão dominou, martelou a defesa do Internacional, fechou espaços para os contragolpes, jogou pelos lados do campo, criou inúmeras chances de gol, enfim, jogou bem.

Mas como o futebol já ensinou inúmeras vezes ao longo de toda a história, a única justiça quando se entra em campo é a da bola na rede.

O Alviverde foi um time como poucas vezes se viu ao longo dessa temporada. Marcou bem, pressionou a saída de bola do Inter, impediu que os laterais do time gaúcho subissem ao ataque, fechou e dominou o meio de campo, criou chances de gol e... Perdeu o jogo e saiu vaiado por sua própria torcida.

O grande pecado do time de Palestra Itália foi justamente aquele que, no futebol, é mortal: a incompetência para colocar a bola para dentro do gol.

A lista de quem teve chances para marcar é extensa: Luan, Gabriel Silva, Fernandão, Patrik, Marcos Assunção. Quase todo palmeirense em campo teve a sua oportunidade para ir para o abraço e a jogou fora. E não foi um desperdício fruto de um jogo amarrado, com a defesa adversária criando obstáculos quase intransponíveis. O Palmeiras acabou tropeçando em suas próprias afobações.

Verdade que muitas vezes os chutes pararam nas mãos do goleiro do Internacional, Muriel, em tarde inspiradíssima. Mas é verdade também que a própria equipe mostrou que não é preciso mais do que uma chance para fazer um gol. O time gaúcho não teve mais que quatro oportunidades claras para deixar a bola no fundo da rede palmeirense. E em três delas foi exatamente o que aconteceu.

Falta o goleador. Outra lição que o adversário deu ao Palmeiras foi que um centroavante com faro de gol pode transformar sufoco em vitória. Leandro Damião marcou três vezes, nas três únicas chances que teve para finalizar. Mas essa lição, cuja prova custou três pontos na tabela e uma porção de vaias vindas das arquibancadas, provavelmente a diretoria já conhecia. Pois Leandro Damião é tudo o que Felipão idealiza para um centroavante dos sonhos.

O artilheiro do Brasil na temporada (40 gols) foi rápido, soube sair da marcação dos zagueiros, foi oportunista e mostrou habilidade e frieza para driblar ninguém menos que Marcos, no terceiro gol do Inter.

A derrota em casa pode fazer com que a torcida até diga que Kleber e Valdivia, os grandes ídolos desse time - junto com Marcos - e ambos ausentes, fazem muita falta à equipe que, pelo menos ontem, foi só de guerreiros sem pontaria. Mas no Pacaembu quase vazio, o que o Palmeiras e os torcedores mais queriam mesmo era que houvesse do seu lado um outro Damião.

No fim, o silêncio dos jogadores em contraste com as vaias da torcida mostrou que a frustração foi maior do que o reconhecimento pela luta. Mas no futebol, o que conta é a bola na rede.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.