Palmeiras tem de se redimir, diz R. Carlos

Lateral corintiano adota discurso politicamente correto e afirma confiar no adversário e em Felipão contra o Flu

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

O lateral-esquerdo corintiano Roberto Carlos não quer saber de polêmica nesta reta final de Campeonato Brasileiro. Experiente no futebol, como se define, ontem ele revelou um ensinamento do técnico Vanderlei Luxemburgo que espera aplicar nestas duas últimas rodadas: "Também estávamos prestes a ser campeões e ele falou que há muita malandragem no futebol e que não podemos cair nessa de entrega de jogo ou polêmicas", disse. O aprendizado foi bastante utilizado por ele, principalmente para falar do arquirrival Palmeiras, a quem sua equipe espera contar com ajuda diante do Fluminense, domingo.

"Não sei se alguns querem que o Corinthians não seja campeão. Em relação ao Palmeiras, depois do que vi ontem (quarta-feira), quando todos achavam que ia ganhar e era o favorito, mas caiu por mérito do adversário, a cobrança será para apagar aquela imagem. Joguei lá por dois anos e seis meses e sei como é difícil quando você perde, sei como é o torcedor", discursou. "Não sei se Felipão usará o time titular, mas espero que seja como sempre foi, correto, e coloque o melhor para recuperar a imagem de ontem (anteontem). Espero que o Palmeiras entre e faça um grande jogo para recuperar um pouco do que aconteceu diante do Goiás (derrota por 2 a 1 e eliminação na Sul-Americana)."

Em alguns momentos, Roberto Carlos falou com semblante sério. Em outros, até arrancou riso dos jornalistas. Um repórter questionou se ele viu a reação da torcida palmeirense, cobrando os jogadores: "Quero ver ganhar do Fluminense?", disseram.

"Eu vi bem e vocês também devem ter percebido que pediram para o time ganhar no domingo", disse, rindo e arrancando gargalhadas. "O Palmeiras joga em Barueri e, teoricamente, é o favorito. Têm grandes profissionais lá, não sei o que passa na cabeça deles, mas existe também um escudo na camisa para ser honrado. E depois o Fluminense pega o Guarani, um time que a gente também gosta muito."

O lateral disse que falar de mala branca ou preta agora é por causa dos vacilos corintianos em casa, e citou as derrotas para Grêmio e Atlético-GO, no Pacaembu. Para ele, o time já podia estar falando do título e fez uma sugestão para coibir possíveis "entregas" de resultado.

"Em relação à entrega de jogos, tenho escutado coisas que me preocupam. Num futebol pentacampeão do mundo, não podem sair tantas notícias ou possibilidades de que clubes grandes entreguem partidas. Mas não vou entrar em polêmica", afirmou. "Cada um tem de fazer seu trabalho da melhor forma possível. O São Paulo perdeu com duas expulsões, uma correta e outro por reclamação, mas foi preocupante, pois eles nunca perdem daquele jeito. Espero que, no ano que vem, possam mudar, criar regras e normas mais rígidas", sugeriu, pedindo uma análise das partidas para coibir e mesmo punir clubes e jogadores caso seja confirmado "corpo mole". Ainda assim, defende a fórmula de disputa atual. "Temos de seguir com os pontos corridos, porque é mais gostoso."

Por fim, espera o retorno de Ronaldo diante do Goiás, na última rodada, para marcar "o gol do título", e alertou Elias para evitar provocações aos rivais, como fez no Twitter ao festejar o triunfo do Goiás. Ainda garantiu que as arbitragens não estão mal-intencionadas.

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