Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Palmeiras usa psicólogo para buscar confiança na temporada

Desde o início do ano no clube, Gustavo Korte destaca excesso de individualismo como um dos principais problemas

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h09

SÃO PAULO - Um problema que atinge o elenco desde o ano passado parece pouco a pouco estar sendo solucionado no Palmeiras. A falta de confiança e o abalo psicológico são apontados pelo treinador e pela antiga e nova direção como grandes culpados pela situação ruim da equipe. E um dos responsáveis por essa mudança não chuta nem uma bola, tampouco escala time. Trata-se do psicólogo Gustavo Korte, que desde o início do ano faz um trabalho especial com o grupo alviverde.

Discreto, Korte quase não é percebido durante os treinos na Academia de Futebol e se infiltra como um dos membros da comissão técnica. "No dia a dia, eu faço a avaliação psicológica da equipe para identificar os problemas e depois entrego um boletim individual para cada um e a partir daí a gente faz o trabalho", explicou o psicólogo, em entrevista ao Estado. Ele começou a análise no início do ano.

E um dos problemas mais graves detectados por Korte e que foi trabalhado é o excesso de individualismo dos jogadores. "Ocorreram várias coisas no ano passado e pelo trabalho deu para perceber que a equipe estava muito individualista, cada um jogava por si. A primeira parte do trabalho foi fazer com que o grupo de jogadores se tornasse uma equipe e formasse uma família, a família palmeirense", explicou.

Outro ponto destacável para o psicólogo é a dificuldade do elenco em superar momentos adversos. Ele percebeu que os jogadores ficavam abalados demais quando perdiam um jogo. "Atleta profissional de alto rendimento precisa aprender a lidar com todas as situações. Erros, sucessos, mudanças de diretoria, ganhar e, principalmente, perder. Isso faz parte do esporte de competição e jogador precisa aprender a conviver com isso."

Este trabalho consistiu, basicamente, em explorar a maior comunicação entre os atletas. "Sou suspeito para falar, mas nos últimos jogos deu para perceber a mudança. E a tendência é aumentar ainda mais", disse o especialista, que já trabalhou com vários outros esportes.

Em dias de jogos, geralmente Korte faz a sua preleção antes de Kleina passar as orientações táticas. A ajuda psicológica foi um pedido do treinador para a antiga diretoria e a recepção dos jogadores foi a melhor possível.

"Admito que fiquei surpreso. Tanto os mais experientes como os garotos aceitaram muito bem tudo o que foi dito", contou, orgulhoso, o psicólogo, que tomou a preocupação de falar em espanhol com Valdivia e fez o mesmo quando Barcos estava na equipe. "É uma forma de me aproximar deles", explicou.

AFASTAMENTO MISTERIOSO

Kleina comemorou o fato de ter um auxiliar para manter o foco dos atletas. "Faltava um profissional como ele aqui no dia a dia. O futebol cada dia mais exige isso e ele faz um trabalho excelente", disse o treinador. Mas o diretor executivo, José Carlos Brunoro, ainda não tem certeza se isso é o melhor para a equipe, tanto que pediu para o psicólogo paralisar o trabalho por um tempo.

"Não me explicaram os motivos. Apenas falaram para eu dar um tempo", disse Korte. Os jogadores lamentam. "Ele faz um trabalho legal com a gente. Se ele realmente sair, vai fazer falta. Ele troca uma ideia legal com a gente e isso ajuda bastante", disse o meia Patrick Vieira.

A reportagem tentou contato com Brunoro, mas ele não atendeu as ligações e nem retornou as mensagens de texto.

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