Palmeiras vai atrás de Muricy para a vaga do demitido Luxemburgo

O presidente Belluzzo diz que Vanderlei quebrou hierarquia e clube pensa no ex-são-paulino e em Abel Braga

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

O Palmeiras já procurou zagueiros, atacantes e, agora, está à caça de um treinador. Após a demissão de Vanderlei Luxemburgo no fim da noite de sexta-feira, a diretoria estuda alguns nomes. Muricy Ramalho, que deixou o São Paulo há nove dias, é um dos favoritos. Abel Braga, nos Emirados Árabes, também está na lista. Hoje, no clássico contra o Santos, às 18h30, no Palestra Itália, o time será comandado pelo interino Jorginho, do Palmeiras B.As declarações de Luxemburgo na sexta à tarde deixaram a diretoria irritada. O treinador reclamou publicamente do modo como a negociação de Keirrison com o Barcelona foi tomada, afirmou que a parceria com a Traffic deveria ser revista - "os clubes hoje são barrigas de aluguel", chegou a dizer -, e declarou que se o acordo do atacante com os espanhóis desse errado não trabalharia mais com o atleta - o vice Gilberto Cipullo falou ontem que as portas no clube alviverde continuam abertas para o atacante.O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e outros diretores se reuniram logo após a entrevista de Luxemburgo, já dispostos a demiti-lo. Depois, Cipullo ligou para o treinador e marcou uma reunião na Academia para, junto do diretor de futebol, Genaro Marino, e de Toninho Cecílio, gerente de futebol, informar ao técnico da demissão."Foi uma quebra de princípios hierárquicos", explicou Belluzzo. "Estamos implantando um código de ética no clube e todos têm de cumpri-lo. A competência de falar de venda de jogadores é da diretoria e não do técnico", afirmou.Belluzzo já peitou torcedores e discutiu com eles para proteger Luxemburgo. Quando o time foi eliminado da Taça Libertadores, há 10 dias, bateu boca com alguns palmeirenses que exigiam a saída do técnico. Disse que nada mudaria. Apesar de amigos, a relação entre treinador e presidente já sofreu alguns desgastes. "O debate que ele teve com a torcida não foi bom para ninguém, muito menos pra ele", lembrou Belluzzo, que chegou a pedir para que o técnico parasse de reclamar do comportamento dos torcedores - e Luxemburgo afirmou na época que reclamaria sempre que quisesse, contestando aquele que paga seus salários.O mandatário palmeirense também sofreu com a pressão de boa parte de conselheiros, que eram contra a permanência de uma cara comissão técnica - o salário mensal dela gira em torno de R$ 1 milhão. Em campo, Luxemburgo conquistou apenas o título estadual do ano passado e fracassou no Brasileiro de 2008 e na Libertadores deste ano. A relação custo-benefício era sempre lembrada por críticos do técnico. "Não foi pelos resultados (a demissão) e sim pela certa dissonância do que ele (técnico) falou e a diretoria interpretou", justificou Belluzzo. "O que aconteceu ontem (sexta-feira) eu não podia aceitar, diminuiria o poder de governança (da diretoria)."Logo após a a reunião, Luxemburgo escreveu em seu blog sobre a demissão (veja ao lado). Ontem, nem apareceu para se despedir do elenco. Integrantes da sua comissão técnica, como o preparador físico Antônio Mello, os auxiliares Ney Pandolfo e Júnior Lopes e o cinegrafista Alexandre Ceolin, também deixam o clube. Para se livrar do treinador, que sonhava renovar e comandar a equipe em 2010 - seu contrato vencia no fim do ano -, o Palmeiras pagará cerca de R$ 1,5 milhão de multa. A diretoria vai agora atrás de outro treinador. Muricy Ramalho, desempregado, é o favorito. Belluzzo afirmou que o Palmeiras terá um técnico campeão. "Mas o Muricy não é o único vitorioso, o Abel Braga também é", lembrou. "Vamos resolver isso (o novo comandante) o mais rápido possível."Abel, de férias em Punta del Este, afirmou que não foi procurado pelo Palmeiras e que acha difícil treinar os paulistas. "Acabei de renovar por dois anos (com o Al Jazira), tenho multa alta pra sair (cerca de R$ 4,5 milhões), mas se for procurado vou conversar com o xeque. Gostaria de ir (para o Palmeiras)."MÁGOABelluzzo também não gostou da forma como Keirrison foi negociado. "Os procuradores dele agiram o tempo inteiro muito mal", reclamou Belluzzo, para quem Keirrison não tinha mais clima para atuar no Palmeiras. "Ele teve queda de produção, que teve a ver com a expectativa (de saída)", disse. "Eu achava que ele não tinha mais condições de jogar, não dividia uma bola. Mas não pode se exigir na marra que ele jogue, se estava com a cabeça em outro lugar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.