Palmeiras volta a honrar sua tradição na cesta

Em crise no futebol, clube retorna à liga após 16 anos de ausência, com orçamento de R$ 1 milhão

ALESSANDRO LUCCHETTI, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h07

Os muros continuam pichados por torcedores enfurecidos, e a loja instalada no clube, depredada e incendiada, está em petição de miséria. Mas o ar fica mais leve assim que se entra no ginásio poliesportivo do Palmeiras. Tudo está novinho em folha, e o piso de madeira brilha. O técnico espanhol Arturo Alvarez se apresentou vestindo uma bermuda da seleção paraguaia, ganhou um agasalho verde, foi se trocar e reapareceu, cheio de energia. Sua missão é preparar a equipe alviverde para o NBB. O simples fato de participar da Liga já enche o clube de orgulho - desde 1996 o Palmeiras não disputava a principal competição brasileira da modalidade.

Não é pequena a tradição do clube no esporte. O departamento de basquete foi o segundo a ser montado, em 1923. Um ano depois, o Palestra Itália foi fundador da Federação Paulista. Por lá passaram Oscar Schmidt, Rosa Branca, Ubiratan, Carioquinha, Agra e Marcel, entre outros. Leandrinho, antes de despontar no Bauru e de lá para a NBA, foi lançado pelo técnico João Monteiro da Silva, o Padola.

Em algum lugar estão guardados os 12 troféus do Paulista e o da Taça Brasil de 77.

Padola foi demitido anteontem, para dar lugar a Alvarez. O asturiano de apenas 36 anos ajudou a recolocar o Paraguai no Pré-Olímpico, competição da qual estava afastado havia décadas. Ele começou a falar portunhol em sua passagem pelo Barreirense, de Portugal, e integrou comissões técnicas dos Los Lobos de Cantábria - no qual jogou Marcelinho Machado - e Alicante, entre outros. Os dirigentes do Palmeiras ouviram do pivô paraguaio Araujo, que defende o Pinheiros, muitos elogios a Alvarez, que não teve dúvidas para assinar. "Todo mundo na Espanha conhece o Palmeiras. O basquete foi muito importante aqui nos anos 50 e 60, e agora nosso projeto é voltar a crescer. O futebol não está tão bem, mas a entidade Palmeiras é muito forte".

Esperto, Alvarez diz que se inspira no estilo de um certo Rubén Magnano. "Gosto do jeito como ele cuida de todos os aspectos do time: preparação, descanso, alimentação, ginásio".

No Palmeiras não há nenhum craque badalado. Alvarez usa outras palavras para deixar claro que, para atingir os objetivos mais imediatos, não tão ambiciosos, o fundamental é mesmo o trabalho. "O importante é o método, a filosofia. E, na quadra, vamos defender nossas cores até a morte". Em espanhol, essas palavras soam ainda mais dramáticas, como se fizessem parte de um filme sobre a Revolução Mexicana ou a Guerra do Paraguai

Menos grandiloquente, o pivô Tiagão, que passou pelo Palmeiras quando era infanto, cadete e juvenil, é mais direto ao abordar a importância da missão de quem vai vestir a camisa verde. "O Palmeiras não pode passar vergonha. Não pode entrar para levar paulada de jeito nenhum, em nenhum campeonato, cara".

Com investimento de R$ 1 milhão - comenta-se que Flamengo e Brasília desembolsam o quádruplo disso - o Palmeiras vai se sentir com o dever cumprido se conseguir vaga nos playoffs. E a história continua.

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