Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Pan 2011: Turma do boliche pede respeito e tenta manter 'título'

Márcio Vieira promete caprichar na pontaria, já Marcelo Antônio Suartz mostrará seu preparo físico

Alessandro Luchetti - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2011 | 03h01

GUADALAJARA - A equipe brasileira de boliche carrega responsabilidade e bolas pesadas nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. Os jogos começam nesta segunda-feira, no Bolerama Tapatío. Há quatro anos, no Pan do Rio, a dupla masculina, formada por Fábio Rezende e Rodrigo Hermes, conquistou a primeira medalha da história do Brasil. Os dois deixaram o esporte, e cabe aos atuais integrantes manter o País no quadro de medalhas.

Fábio se retirou assim que atingiu seu objetivo: alcançar o grande resultado que prometera ao irmão, morto num acidente automobilístico. Fernando Rezende foi campeão mundial juvenil e era considerado o dono de um futuro brilhante no boliche.

Rodrigo foi convencido a administrar o negócio da família, uma padaria, já que o boliche não dá futuro no Brasil.

Nos Estados Unidos dá. Existe um circuito profissional, e pela primeira vez, os jogadores que o disputam poderão participar do Pan. A grande estrela é Kelly Kully, a única mulher a derrotar os homens num grande evento, o Tournament of the Champions, que reúne apenas os vencedores de etapas do circuito.

Sentindo o tamanho da responsabilidade, o veterano carioca Márcio Vieira, de 58 anos, que já participou de dois Pans como treinador, resolveu voltar à pista. Disputou a seletiva e ganhou vaga para tomar parte de seu quinto Pan. "Achei que a nova geração ainda não estava preparada, por isso estou aqui.''

A idade está pesando e obriga Márcio a caprichar na pontaria. "O jogo está muito mais físico. É como se eu fosse o Ivan Lendl e tivesse que enfrentar o Nadal. Os jogadores, hoje, fazem as bolas darem muito mais rotações. Como é necessário ter muita força para isso, dependo da mira.''

O paulista Marcelo Antônio Suartz já é um exemplo da nova geração do boliche: faz musculação, preparação mental e exercícios respiratórios no melhor centro de treinamento do mundo, em Orlando, nos EUA, onde estuda marketing. Não à toa, conquistou o título do All American Championship, principal torneio universitário do país.

Com rotina de atleta profissional, ele se sente incomodado com o preconceito contra o boliche, visto mais como recreação do que como esporte. Até os desenhos animados contribuem para isso. Homer Simpson e Fred Flinstone, por exemplo, o praticam. "Uma partida pode durar até seis horas. Quem não tiver preparo físico não vai vencer.''

Diante de todas as exigências que a evolução da modalidade apresenta, os brasileiros precisam fazer muitos sacrifícios. Os atletas das modalidades não-olímpicas ficam no final da fila para receber o Bolsa-Atleta. Os praticantes dos esportes olímpicos são contemplados primeiro.

Geraldo Maciel, que está o México como árbitro, pede mais justiça na distribuição das bolsas. "Somos gratos por sermos contemplados pelo Bolsa-Atleta, mas contra a discriminação. Não é justo virmos depois dos atletas olímpicos. O esporte é direito de todos, está na Constituição.''

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