Pan-87, exemplo para meninas do futebol

Bater o poderoso time dos Estados Unidos na final do futebol feminino não é missão impossível. É isso que René Simões tenta colocar na cabeça das meninas, que têm péssimo retrospecto contra as norte-americanas. Como exemplo, o treinador vai utilizar justamente um confronto entre Brasil e Estados Unidos, só que pelo basquete: a incrível vitória dos sul-americanos por 120 a 115, na final do Pan-Americano de 1987, em plena Indianápolis.Simões pretende agendar para o grupo, amanhã, uma palestra do ex-ala Paulinho Villas Boas, que atuou naquela decisão e está em Atenas com a delegação do basquete feminino. Sua intenção é aumentar a confiança do grupo, que costuma sentir a pressão quando joga contra as rivais.A seleção nunca se deu bem contra as americanas na história da modalidade. Em 91, no Mundial da China, as brasileiras levaram de 5 a 0. Em 99, também pelo Mundial, em São Francisco, novo tropeço: 2 a 0.Mais tarde, nos Jogos de Sydney, 1 a 0 para as adversárias. E, na Olimpíada de Atenas, na primeira fase, a equipe de Simões jogou bem, mas perdeu por 2 a 0. A única vitória ocorreu num amistoso. "Não vamos pipocar, podem ter certeza", garantiu a meia Formiga.Simões corre atrás de todos os artifícios possíveis para tirar o medo de suas comandadas e animá-las cada vez mais, embora a disputa da medalha de ouro já seja um grande fator motivacional. Amanhã, distribuirá para o elenco a letra da música Desesperar, Jamais, de Vitor Martins e Ivan Lins, que fala da confiança, da fé e da persistência. "Brasil x Estados Unidos no feminino é, hoje, como Brasil x Argentina no masculino", avaliou o técnico brasileiro.Descontrole - A rivalidade, cada vez maior entre as jogadoras, preocupa um pouco Simões, que teme que o time se descontrole durante o jogo. Mas admite que a irritação de sua equipe com as adversárias tem motivo. "Elas foram desleais no confronto da primeira fase, fizeram um jogo sujo", declarou.As brasileiras, que derrotaram a Suécia por 1 a 0, ontem, em Patras, chegaram hoje a Atenas, onde treinaram à noite. Amanhã, farão o reconhecimento do gramado do Estádio Karaiskaki, palco da final, marcada para quinta-feira, às 15 horas (de Brasília). Simões não tem nenhum desfalque para a decisão e deverá manter a escalação usada na semifinal. As americanas passaram pela Alemanha na semi, com vitória por 1 a 0 na prorrogação, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

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