Pan altera a rotina de 42% dos brasileiros

Vale até atrasar almoço e início de aula para ver os Jogos

Mônica Nóbrega, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2027 | 00h00

As 12 horas diárias de trabalho da consultora de vendas Sílvia Aparecida Andrade Bueno foram reduzidas nas últimas duas semanas. Desde o início dos Jogos Pan-Americanos do Rio, ela reserva pelo menos duas horas, depois do almoço, para acompanhar algumas disputas. ''''Eu estou assistindo televisão, coisa que não faço no dia-a-dia'''', conta.Como ela, 42% dos brasileiros que têm acesso à internet alteraram a rotina para acompanhar o Pan, de acordo com pesquisa do Instituto Qualibest, de São Paulo, especializado em sondagens pela rede. O instituto fez 403 entrevistas nos dias 17 e 18 de julho - o sexto e o sétimo do torneio - por meio de um questionário de preenchimento online. A margem de erro é de 5%. ''''Apesar de ser feita pela internet, a pesquisa é diferente das enquetes sem valor científico feitas pelos sites. Nossa base de dados é formada por pessoas previamente cadastradas, com CPFs checados junto à Receita Federal. Recortamos a amostra até obter um perfil representativo dos usuários de internet'''', afirma a diretora do Qualibest, Daniela Malouf.De acordo com a pesquisa, apenas 4% dos brasileiros não estão acompanhando o Pan de forma nenhuma. A televisão é o veículo preferido - 52% se valem da TV aberta e 29% da TV por assinatura. A internet é a fonte das notícias do Pan para 13% e 2% recorrem aos jornais. ''''O resultado mostra que o Brasil está muito envolvido com o Pan. Mesmo quem não alterou a rotina está interessado em informações'''', analisa Daniela.Apesar dos números expressivos, os Jogos não provocam a mesma mobilização nacional de uma Copa do Mundo - pelo menos por parte das autoridades. Na Copa da Alemanha, no ano passado, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), de São Paulo, chegou a montar operações especiais no meio da tarde, para que os torcedores dispensados do trabalho chegassem em casa a tempo de ver a seleção brasileira. No Rio, a prefeitura decretou ponto facultativo numa terça-feira em que jogaram Brasil e Gana. No Pan, tais medidas nem seriam possíveis, dada a grande quantidade de esportes envolvidos.Como nem todos têm a facilidade de Sílvia, que trabalha em casa e pode adaptar a agenda, muitas empresas têm dado um jeito para que os funcionários vejam as provas no local de trabalho. O engenheiro Wagner Eduardo Évora conta que o refeitório da indústria farmacêutica onde trabalha, na Grande São Paulo, vira uma festa na hora do almoço, com a TV ligada. ''''Todos na empresa foram autorizados a acessar a internet e procurar informações e resultados'''', conta.O professor universitário Luiz Antonio Keller, que mora no Rio, afirma que não tem tido problemas com o trânsito. Mas tem procurado sair mais cedo trabalho ou, dependendo da programação, adaptar o horário do almoço. Além disso, suas aulas têm começado com 15 a 20 minutos de atraso. ''''Os alunos pedem e eu permito que fiquem na lanchonete até o fim de algumas provas. Começamos a aula depois'''', conta.

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