CBJ/ Divulgão
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Pan-Americano de Judô inclui modalidade que será novidade na Olimpíada de Tóquio

Brasil adota estrategia de levar atletas jovens visando aos Jogos de 2020

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 07h03

Este fim de semana promete ser decisivo para o judô brasileiro. De sexta a domingo, 20 atletas vão representar o Brasil no Campeonato Pan-Americano na cidade de San José, na Costa Rica. A convocação revelou uma surpresa: a maioria do time é formada por jovens de até 25 anos. A decisão não partiu de uma vontade, mas sim de estudos e uma visão a longo prazo: a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

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Gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson explica que o ápice dos atletas medalhistas olímpicos é na faixa etária dos 26 anos. Exemplo disso é Rafaela Silva, atleta responsável pela conquista do primeiro ouro brasileiro na Olimpíada do Rio, em 2016. Na época, a carioca tinha 24 anos. "A gente acredita que dando essa experiência aos atletas, dando a oportunidade deles crescerem no ranking, eles têm maior possibilidade de brigar pela vaga nos jogos de 2020", projeta.

Um exemplo é a judoca peso pesado Beatriz Souza (+ 78 kg), que venceu a competição no ano passado. Aos 19 anos, Bia está entre as oito mais bem colocadas judocas do mundo no ranking da Federação Internacional de Judô (FIJ). A responsabilidade é grande, mas ela é só uma dentre os nomes que têm ajudado o Brasil a conseguir ótimos resultados internacionais na modalidade. Principalmente quando se trata do time feminino.

Prova disso é o ótimo momento que vive Maria Portela. A atleta de 30 anos vem de nove vitórias seguidas e ganhou dois ouros nos últimos seis meses, um no World Masters e outro no Grand Slam de Ecaterimburgo. "A gente tem uma equipe feminina muito forte, mas precisamos pensar no futuro", sintetiza Ney. E para isso ele é prático: pensar na reposição. Ou seja, preparar novos atletas já que essa geração forte de mulheres deve encerrar as atividades em 2020, no Japão. Esse é um processo natural que já vem acontecendo no masculino e que deve começar a surtir efeitos. "Acredito que, por isso, a cara da seleção brasileira em 2020 seja um pouco diferente da cara que foi nos Jogos de 2016", compara.

Líder do ranking mundial na categoria peso médio feminino (até 70 kg), Portela é uma das duas exceções que leva experiência ao time brasileiro no Pan. O outro é David Moura, vice-campeão mundial individual e por equipes no ano passado. Ambos os atletas vão lutar apenas na categoria de equipes mistas, outra novidade desta edição e que vai entrar no calendário de Tóquio-2020. Na competição, cada país monta seu time com três homens e três mulheres.

"Normalmente era masculino e feminino separado, agora é junto, então o objetivo é esse: se manter unido em busca desse ouro", idealiza David, que é um exemplo para os garotos mais novos. Além de dar confiança e colocar os atletas no cenário internacional, o Pan-Americano também é importante porque classifica para o Mundial por equipes, no Azerbaijão, e distribui até 700 pontos no ranking mundial da FIJ. "O problema começou agora: manter a liderança do ranking e, para isso, tenho de manter também os pés no chão, estar focada. Eu estou feliz, mas sei que para ser líder tem de ser constante", aponta Maria.

PARA LEMBRAR

O judô é o esporte que mais rendeu medalhas olímpicas ao Brasil, são 22 no total. Só na edição do Rio de Janeiro foram três. Primeiro veio a de Rafaela Silva, com o ouro. Depois, Mayra Aguiar, com um bronze, a mesma medalha ganha por Rafael Silva. Ainda assim, o carro-chefe do esporte olímpico no Brasil ficou aquém do esperado, já que a meta era colocar ao menos cinco atletas no pódio. Em Londres, 2012, foram quatro.

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