Capítulo 03

Pan de Lima deixa lições importantes para Tóquio-2020

Brasil pode aproveitar o resultado histórico para fazer ajustes e chegar bem na Olimpíada do ano que vem

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 15h00

Caro, leitor!

Nesta terceira coluna da nossa caminhada até os Jogos Olímpicos de Tóquio a ideia é fazer um balanço da participação brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Lima e apontar detalhes que devem ser aprimorados e acertos que precisam ser repetidos para que o País possa fazer uma boa campanha em 2020.

O Brasil tirou lições importantes desta edição dos Jogos Pan-Americanos e que servirão para tentar fazer um bom papel na Olimpíada de Tóquio. O recorde histórico de medalhas foi quebrado e o jejum de 56 anos sem ficar na segunda posição geral foi para o espaço. Mas para além de pódios, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) percebeu situações que podem ajudar a delegação no Japão.

No Peru, mais precisamente na praia de Punta Rocas, onde foi realizada a competição de surfe, os atletas tiveram um quartel-general como base. Era a Casa do Surfe, um espaço de três andares que serviu de alojamento para os competidores nacionais. Nela, tinham uma chef de cozinha à disposição e um fisioterapeuta com um espaço adequado para recuperação dos atletas e ativação antes de ir para a disputa.

O local ficava a cinco minutos de caminhada da área de competição e serviu para os brasileiros terem mais comodidade de deslocamento. Já outros países tinham de ir e voltar da Vila Pan-Americana, cerca de uma hora e meia de ônibus, levando junto grandes equipamentos. Esse tempo de deslocamento atrapalhou atletas de outros países enquanto os brasileiros podiam treinar nas ondas de Punta Rocas com mais facilidade.

Isso mostrou um caminho para Tóquio, quando a Olimpíada será bastante descentralizada e o Brasil precisará de algumas bases de operação para competições como surfe e vela, que serão fundamentais para garantir algumas medalhas para o País. Os próprios dirigentes do COB já entendem que os custos para esta Olimpíada serão maiores, mas sabem o quanto isso pode fazer a diferença no final.

Um dado interessante é que o Brasil teve quase 40% de suas medalhas no Pan de Lima com atletas com menos de 23 anos. Quase metade delas foi com competidores com menos de 20 anos. Isso mostra que a luz o fim do túnel está mais brilhante e que existe uma boa safra de atletas para vestir a camisa verde e amarela nos próximos anos.

Para Tóquio, é importante que o Time Brasil tenha uma ótima preparação emocional. Isso já vem sendo feito, profissionais da área estiveram em Lima para ajudar, e o COB já detectou que esse é um aspecto importante do treinamento. Em algumas provas, o lado mental pesou e atletas desperdiçaram boas oportunidades. Isso faz parte do amadurecimento e aprendizado e pode ajudar em 2020.

A campanha histórica em Lima ser de inspiração para os atletas treinarem ainda mais até os Jogos de Tóquio, que estão logo ali. E no centro do comando, os dirigentes estão com os pés no chão, o que também é bom. "O sinal amarelo está em tudo. A chave muda para Tóquio onde o nível de competitividade muda. Temos sempre o sinal de alerta ligado, com os pés no chão, e o planejamento precisa ser muito trabalhado", avisou Jorge Bichara, diretor de esportes do COB.

 

Paulo Favero

Paulo Favero

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