Lunae Parracho/Reuters
Lunae Parracho/Reuters

'Para a Fifa, o essencial são os estádios', diz Aldo Rebelo

Principal representante do governo na organização da Copa diz que interesse do País é mais amplo e que todas as obras serão feitas

O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h08

BRASÍLIA - Cacique da organização da Copa do Mundo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirma que, para a Fifa, as obras essenciais são apenas dos estádios. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele mantém a esperança de que as obras de mobilidade ficarão prontas, nega intervenção no Comitê Organizador Local e defende a viabilidade das arenas em construção pelo País.

Faltando menos de dois anos para a Copa, qual a sua avaliação dos preparativos?

A Copa não é apenas a mais importante festa do futebol mundial, mas uma grande oportunidade para o desenvolvimento do País. O Brasil já gerou mais de 300 mil empregos por causa da Copa, outros 300 mil serão gerados durante o evento e o PIB brasileiro terá um acréscimo de 0,4 ponto porcentual pelo menos até 2019. Nós temos a oportunidade de demonstrar virtudes e superar deficiências. Esse é o esforço que tem sido feito.

O TCU aponta que quatro estádios, de Brasília, Cuiabá, Natal e Manaus, podem virar elefantes brancos. Como evitar?

Eles já foram projetados para evitar que isso aconteça. Brasília é uma metrópole, a capital do País. O estádio não será apenas um campo de futebol, mas um centro de eventos, um centro de convenções, vai ter salas de cinema, restaurantes, e está dentro de uma área de lazer importante. O estádio de Wembley, na Inglaterra, não acolhe mais de 10 partidas de futebol por ano, é acima de tudo um centro de entretenimento. Hoje o conceito é das chamadas arenas. Estes estádios da Copa serão importantes para o futebol local, para o entretenimento e para o turismo de eventos.

O preço das obras nos estádios não para de subir. Houve falha de planejamento?

Não. O planejamento é feito com base no custo do momento, você não tem como fazer com base no custo futuro. Os reajustes podem ter as origens mais diversas, salarial, de custo de matérias-primas, de equipamentos, entre outros. É natural que isso aconteça. Os órgãos de controle acompanham para verificar se há alguma manipulação.

O governo vai retirar obras da matriz de responsabilidade?

Nós preferimos trabalhar com a hipótese de que as obras serão concluídas. Isso não é uma coisa controlada somente pelo governo federal, tem obras que são dos Estados e dos municípios e nós não vamos nos antecipar para definir se devem sair ou não. Quem toma a decisão, em última instância, é o G-Copa, mas trabalhamos em harmonia.

Em maio, 41% das obras da Copa não tinham começado. Este atraso preocupa?

Nós temos a referência do calendário de conclusão dentro do período da Copa do Mundo. A imprensa, embora trabalhe com a notícia impressa que nasce e morre no papel, parece não considerar como importante o planejamento, a licitação e o contrato que são fases anteriores ao início físico da obra. Algumas das obras estão nessa fase, mas a maioria já está em execução.

Se essas obras não forem concluídas a tempo, haverá que tipo de problema?

A própria Fifa considera que o essencial mesmo são os estádios e o acesso aos estádios, que as outras obras não são essenciais para a Copa do Mundo. O governo produz a matriz de responsabilidade não em função apenas da Copa, mas porque são obras previstas para essas metrópoles e que facilitarão a mobilidade urbana, a acolhida do turista e o conforto das pessoas das cidades. É possível prever que essas obras serão realizadas. Jornais e televisões também planejam contratar mais mão de obra para a Copa, só que não farão isso agora, nem por isso posso dizer que estão atrasados ou garantir que irão contratar.

Nos últimos meses houve a troca de comando na CBF e no Comitê Local. Há um alinhamento do comitê ao governo? Houve intervenção?

Nós não buscamos alinhamento, mas eficiência. Quando se aproxima os dois lados evidente que você alcança mais fácil e rápido as soluções. Não tem intervenção, o comitê mantém toda sua autonomia e não há interesse do governo em se imiscuir nos assuntos internos.

O senhor já iniciou uma articulação para adequar leis estaduais e municipais?

Há reuniões periódicas entre o ministério e representantes dos Estados e das capitais. Esse assunto será tratado nesse fórum, que é presidido pelo secretário executivo do ministério, Luís Fernandes. O governo vai trabalhar para que o compromisso do Brasil seja cumprido. As responsabilidades foram assumidas, cumpridas no âmbito da Lei Geral da Copa e o governo vai contribuir para que os estados e municípios adotem legislações nessa direção.

A Fifa pretende começar a venda de ingressos para a Copa das Confederações em dezembro, como resolver a questão da meia-entrada e da venda de bebidas até lá?

A meia-entrada para a terceira idade ficou protegida pela Lei Geral. As outras, que não estão em legislação nacional, ficaram contempladas em parte naquela cota de ingressos mais baratos. A lei de cada sede terá de se adequar ao compromisso e à natureza daquilo definido na Lei Geral, de que a garantia é apenas da meia-entrada para a terceira idade. No caso da venda de bebidas, minha interpretação é de que a lei nacional subordina a estadual, mas há outras visões que precisam ser respeitadas e isso será tratado na reunião com as sedes.

Apesar do investimento no esporte de alto rendimento, a previsão do COB para a Olimpíada de Londres é apenas repetir Pequim. O que é preciso fazer para elevar o esporte olímpico brasileiro a outro patamar?

Os avanços têm acontecido desde as leis Agnelo/Piva e de Incentivo ao Esporte, a criação do Bolsa Atleta e do Bolsa Técnico e o amparo que o governo vai oferecer à preparação da Olimpíada de 2016 com um projeto específico, que está na preparação dos últimos detalhes. O Brasil vai para a Olimpíada de Londres com boa expectativa de medalhas e vai chegar ao Rio de Janeiro em 2016 muito melhor por causa da nossa responsabilidade. O Brasil não deve fazer apenas uma Olimpíada exemplar do ponto de vista da organização, mas também no quadro de medalhas.

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