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Para campeão olímpico, Torben é mestre

Se o barco da classe Star é considerado "o violino dos mares", Torben Grael é Pagannini, o mestre do instrumento. A observação é do russo Valentin Mankin, quatro medalhas olímpicas, três delas de ouro, na primeira vez que viu o brasileiro, na Olimpíada de Seul/88. Mankin é técnico da equipe italiana de vela há 15 anos e tirou a quinta-feira passada para ir à raia Delta de Ágios Kosmas - local das regatas dos Jogos de Atenas - apenas para admirar Torben velejar. O russo foi lá pelo prazer de observar a cumplicidade com o barco, e com o proeiro Marcelo Ferreira, a seu lado. "Um velejador como ele só nasce de 100 em 100 anos", falou a Lars Grael, coordenador da equipe brasileira, ainda no pier, antes da largada das duas regatas que dariam mais um ouro a Torben e Marcelo. Aos 44 anos, Torben agora é recordista de medalhas na vela em toda a história olímpica, com cinco delas: dois ouros, uma prata e dois bronzes. Torben foi o grande destaque da delegação brasileira em Atenas, por suas façanhas acumuladas. O ouro, desta vez, veio por antecipação, na classe que é considerada a mais técnica, por ter o veleiro mais sensível de todas. "A Star tem um equilíbrio muito grande. É pouco comum ganhar um campeonato por antecipação. Raramente isso acontece na nossa classe. Aqui, me senti privilegiado", afirmou o brasileiro. Segredo - Torben revelou que a chave desta competição foi a força de recuperação. "Iniciar a Olimpíada com dois maus resultados já de cara... Depois foi tudo às mil maravilhas", resumiu o brasileiro, mais conhecido na Europa e na Oceania do que em seu próprio País. Em Los Angeles/84, quando começou sua saga olímpica, Torben foi prata na classe Soling, ao lado de Daniel Adler e Ronaldo Senft. O trio ainda foi vice-campeão mundial no ano seguinte. Mas os compromissos de Daniel e Ronaldo não deixavam mais espaço para tanto treino. Assim, em 1989, surgiu a oportunidade de embarcar como timoneiro de Star, com o proeiro Nelson Falcão. "Era uma coisa nova, um desafio que surgiu já em cima da Olimpíada de Seul/88, que seria em outubro. Apesar do mastro quebrado (que tirou o ouro da dupla, medalha de bronze),me identifiquei com o barco, gostei." Com o tempo, foi a vez de Nelson Falcão se afastar das competições e Torben começar a correr com Marcelo, com quem levou o ouro em Atlanta/96, mais o bronze em Sydney/2000, mais o ouro desta semana... Torben agradece, em primeiro lugar, aos pais, Dickson e Ingrid, que o incentivaram a seguir carreira na vela, quando a maioria fazia o contrário, com uma vida mais tradicional. "Eles tiveram uma visão que, na época, era muito difícil." Hoje, Torben incentiva seus filhos Marco e Martine, com a mulher Andréa, a praticar esporte. E os dois gostam de... velejar. Com o tempo, Torben começou também a correr na vela oceânica e tornou-se tático - o responsável pela leitura de ventos, correntes, das "dicas" da natureza no mar e no horizonte, na terra, no céu, para traçar a estratégia certa. Virou ídolo na Itália depois da primeira America´s Cup com o barco "Luna Rossa" daquele país, que competiu em Auckland. O brasileiro ainda foi tático da America´s Cup seguinte, também na Nova Zelândia. Com as regatas oceânicas nos "big boats", Torben consagrou-se de vez como um dos grandes velejadores do mundo. Se os italianos consideram o brasileiro "O Homem dos Ventos", para outros, como o lendário russo Valentin Mankin, ele é muito mais do que isso: é gênio. O Pagannini dos mares.

Agencia Estado,

30 Agosto 2004 | 09h28

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