Para CBF, cadeira de Andrés Sanchez está vaga

Diretor de seleções resolve adiar pedido de demissão, mas declarações sobre Felipão irritam Marin

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h06

SÃO PAULO - Andrés Sanchez acenou nesta terça-feira com um adiamento de seu pedido de demissão do cargo de diretor de seleções da CBF, sob o argumento de que o Brasil precisa ter um representante durante o sorteio da Copa das Confederações, marcado para sábado, mas o tiro saiu pela culatra. A entidade já não conta mais com os serviços do ex-presidente do Corinthians. "A CBF considera que o cargo está vago'', disse ao Estado um dirigente carioca com bom trânsito na entidade.

O que motivou a "vacância'' do cargo foram as declarações de Sanchez, dadas no dia anterior, no Rio, dizendo que iria pedir demissão por não ter participado de supostos contatos entre o presidente da CBF, José Maria Marin, e o técnico Luiz Felipe Scolari. Segundo Andrés, Felipão já estaria até "apalavrado'' para ser o substituto de Mano Menezes.

Marin, que já vinha comandando um processo de fritura do diretor de seleções - mas esperava que ele tomasse a iniciativa de pedir demissão -, se irritou de vez com o comentário sobre Felipão. E selou o destino de Andrés.

Com isso, as chances de ele ser demitido ainda hoje, caso não se antecipe e peça demissão, são grandes. Mesmo com o risco de a seleção brasileira não ter um representante em vários eventos organizados pela Fifa na programação do sorteio da Copa das Confederações - amanhã haverá um workshop com as equipes participantes; na sexta estão marcadas entrevistas coletivas com os técnicos; e no sábado os treinadores voltam a falar.

Nesses eventos, a Fifa recomenda que as seleções credenciem alguém do staff técnico para participar - treinador (preferencialmente), coordenador ou o diretor técnico. Por isso, embora remota, não está descartada a contratação de um coordenador técnico a toque de caixa.

Nesta terça-feira, chegou-se a comentar o nome de Carlos Alberto Parreira, que não foi localizado pela reportagem. Falou-se, também, na possibilidade de se pedir "socorro'' a Ronaldo ou a Bebeto para essas "missões''. Ambos são membros do conselho de administração do COL (Comitê Organizador Local da Copa de 2014) e a presença de um deles poderia minimizar, perante a imprensa internacional, o clima de bagunça na seleção do país anfitrião da Copa das Confederações.

A chance de definir um treinador nas próximas horas voltou a ser descartada ontem por Marin, segundo seus pares.

FIM DA LINHA 

Andrés havia dito que se reuniria às 13 horas de nesta terça-feira com Marin na sede da CBF para selar sua saída, mas pela manhã disse ter mudado de ideia e que ficaria até sábado, por respeito ao futebol brasileiro.

"Tem o sorteio aí e só estão credenciados o treinador e o diretor de seleções, e já não temos mais o técnico. Então, não posso deixar de ir'', justificou, em entrevista à TV Bandeirantes. "A seleção é muito mais importante que treinador ou diretor, tenho que ter a cabeça no lugar.''

Mas reiterou a disposição de, passado o sorteio de sábado, se reunir com Marin para acertar os ponteiros. Hoje, Andrés promete ir à sede da CBF e trabalhar normalmente. Sua sala, porém, poderá estar trancada.

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