Para eles, defender o país só com a seleção

Messi e Drogba fazem parte do grupo de atletas formados no exterior e que jamais jogaram por clubes de seus países

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

O que Messi e Drogba têm em comum? Além do fato de serem os principais astros de suas seleções, Argentina e Costa do Marfim, respectivamente, eles jamais jogaram futebol em times de seus países. Pelo menos não como profissionais. Os craques são apenas dois dos muitos exemplos de um dos fenômenos da globalização do futebol: promessas da bola que deixam seus países ainda crianças, ou no início da adolescência, para se "formar"" em equipes de praças mais desenvolvidas.

Messi deu os primeiros chutes no Newell"s Old Boys, de Rosário, e com 13 anos mudou para a Catalunha e para o Barcelona, porque não encontrou na Argentina nenhum clube disposto a custear seu tratamento de uma doença que afetava seu crescimento. Drogba foi aos 5 anos mandado a contragosto para a casa de um tio na França, pois seu pai vislumbrou a possibilidade de torná-lo um bem-sucedido jogador de futebol. Acertou.

Os africanos, aliás, são os campeões quando se trata de ir para a Europa sem sofrer no futebol local. Gana por exemplo, tem na lista de convocáveis Appiah, John Mensah, Boateng e Essien, entre outros, que foram para a Europa com 15, 16 anos. Entre os camaroneses, Eto"o foi criado no Real Madrid espanhol; Alex Song, no Arsenal inglês.

Formar-se em outro país às vezes traz um ônus extra para o jogador, o de ser olhado com desconfiança. Messi é alvo de narizes torcidos sempre que não joga bem pela Argentina. Muitos de seus compatriotas, então, insinuam que ele é "estrangeiro"". "Nada me irrita mais do que dizerem que não sou argentino"", vive a rebater o meia do Barcelona.

Restrição. A Fifa tem tentado restringir essas saídas precoces. Para isso, determinou que, antes de completar 18 anos, nenhum jogador pode atuar por equipes de outros países. Por isso, por exemplo, Alexandre Pato, negociado pelo Inter-RS com o Milan quando tinha 17 anos, teve de esperar atingir a maioridade para jogar pelo time italiano - e atualmente jovens brasileiros como Phillipe Coutinho, do Vasco, e Wellington Silva, do Fluminense, esperam completar 18 anos para se apresentarem a Inter de Milão e Arsenal, respectivamente, que já detêm os direitos sobre eles.

Mas os clubes europeus interessados em promessas do Terceiro Mundo continuam usando uma maneira padrão de burlar as leis. Oferecem empregos para os pais e conseguem levar o garoto para suas fileiras.

Outra preocupação da Fifa: as escolinhas além-fronteiras. O Milan tem no Brasil; o Barcelona, em Burkina Faso. O temor é que clubes ricos garimpem cada vez mais jovens de países menos desenvolvidos. E que, em pouco tempo, forme-se uma geração de "apátridas da bola"".

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