Para fazer história

China é único obstáculo para final inédita

Eduardo Maluf, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

Mari, Paula Pequeno, Walewska, Sheilla, Fofão, Fabiana, Fabi, Carol Albuquerque, Sassá, Jaqueline, Thaísa e Valeskinha. Essas 12 jogadoras podem se tornar hoje as primeiras a levar a seleção brasileira de vôlei a uma final olímpica e, assim, garantir pelo menos a prata.Falta bem pouco para essa conquista: um jogo, no qual precisam repetir o feito da seleção masculina - que ontem arrasou os anfitriões - e vencer a China, às 9 horas (de Brasília).Na história dos Jogos, o vôlei feminino nacional tem duas medalhas, ambas de bronze, em Atlanta-1996 e Sydney-2000. Antes dos anos 1990, os resultados eram pra lá de inexpressivos.O Capital Gymnasium estará novamente lotado e a torcida, é claro, será contrária. Mas, pela campanha e pelo nível de desempenho apresentado até agora, a seleção brasileira carrega favoritismo e só perde a vaga caso tenha um dia excepcionalmente infeliz. "Chegamos à semifinal em ótima forma e agora queremos o ouro", afirmou Sheilla. Pretensão mais do que justificada, pois a equipe está acertada taticamente, as atletas mostram grande condição técnica e o ambiente é bom. Tudo a favor.Mesmo o mais crítico e exigente não consegue encontrar pontos negativos nesse grupo. Até agora, o aproveitamento é de 100%, sem nenhum set perdido em seis jogos. A única questão levantada - aliás, desde o início da Olimpíada - é sobre como as meninas se comportarão na hora da decisão. A pressão psicológica não pode afetar o rendimento do time?Essa é uma das perguntas mais freqüentes feitas por jornalistas às jogadoras ou a José Roberto Guimarães após as partidas. E ela tem fundamento. Em Atenas-2004 e no Pan do Rio, em 2007, o time sofreu derrotas surpreendentes na semifinal e na final, respectivamente, depois de campanha irretocável nas fases anteriores.PRESSÃO PSICOLÓGICAA aposta, agora, é a de que a história será outra. Psicóloga da seleção desde maio, Sâmia Hallage diz não ter dúvidas de que "o grupo está bem emocionalmente" e afirma que "nenhuma atleta se sente como amarelona (fraca, abalada)" pelos tropeços recentes em competições importantes. O discurso das jogadoras, aliás, é justamente esse. "Não lembramos mais de Atenas", garantiu Mari. Pelo menos dentro de quadra, é o que elas vêm mostrando.No primeiro jogo eliminatório, anteontem, contra o Japão, as brasileiras não deram a mínima chance para as adversárias e venceram por fáceis 3 sets a 0, sem levar nenhum susto.Hoje, mesmo com o favoritismo, a seleção dirigida por Zé Roberto pode encontrar um pouco mais de dificuldade. As chinesas venceram quatro vezes e perderam duas nos Jogos. As derrotas para Estados Unidos e Cuba foram apertadas, com a vitória vindo apenas no tie-break. Ou seja: a seleção chinesa, com a ajuda da torcida, pode dar trabalho. Zé Roberto sabe disso, mas está confiante. "Se quisermos ficar com o ouro, não podemos ter medo da China", declarou o treinador.

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