Para Mano, culpa pela eliminação é do gramado

Técnico coloca a culpa da perda de penalidades na condição do campo: ''Grama estava alta no local do pé de apoio''

Silvio Barsetti e Paulo Galdieri, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2011 | 00h00

ENVIADOS ESPECIAIS / LA PLATA

A desculpa já estava na ponta da língua. O time, renovado, está em formação. O técnico Mano Menezes, no entanto, conseguiu ir mais além. Culpou a grama irregular da marca do pênalti como determinante para a eliminação da seleção brasileira na Copa América, ontem, em confronto com o Paraguai. "Dois atletas nossos (dos que desperdiçaram cobranças) reclamaram. No local do pé de apoio, a grama estava alta", disse Mano.

O problema que teria afetado Elano, Fred e André Santos, e ainda Thiago Silva, não foi relatado por Estigarribia e Riveros, autores dos gols derradeiros - o Paraguai errou apenas com Barreto, o primeiro a cobrar.

Logo depois de ter apontado a grama do Estádio Ciudad de La Plata como a grande vilã brasileira, Mano disse que a seleção teria de trabalhar para corrigir seus erros.

Ele lamentou as falhas de finalização da equipe, mas afirmou que a questão é momentânea. "Não se pode dizer que o jogador brasileiro não tem habilidade para fazer gols."

Mano tentava se manter calmo na confusa entrevista coletiva, logo após a partida. Num auditório pequeno e lotado, ele falou pausadamente e já parecia orientado pela Assessoria de Imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a defender a continuidade do trabalho de renovação da equipe.

"Temos um caminho e temos de ser fortes na construção desse caminho."

Jogada ensaiada. O técnico citou dois lances importantes do jogo, como exemplos de que o Brasil merecia, na sua avaliação, sair vitorioso em La Plata, o de uma jogada ensaiada em que André Santos cobrou falta e Lucio surgiu entre os zagueiros adversários e quase marcou, e outro, numa conclusão de Alexandre Pato.

"Na hora de perder, se tem o hábito de dizer que está tudo ruim. Não está tudo ruim. Evoluímos, começamos de um jeito e hoje (ontem) já estávamos de outro jeito."

Para Mano Menezes, a falta de maturidade de vários atletas também teve influência na desclassificação do Brasil. Disse isso para registrar sua insatisfação com a confusão que envolveu vários jogadores, já na prorrogação, e resultou na expulsão de Lucas Leiva - e ainda Alcaraz.

"Houve ali uma troca de um, que estava bem, por outro, que não fazia boa partida", comentou, ao reforçar a ideia de que faltou equilíbrio emocional ao time no momento de decisão.

Mano negou uma eventual apatia da seleção ao longo da Copa América. Disse que Brasil e Argentina, quando não vencem, têm de responder quase sempre sobre isso. "Futebol não é só gana, é qualidade, fundamentos e trabalho. Claro que vontade de vencer conta, mas não é tudo", declarou.

Hoje, às 10h45, Mano concede outra entrevista, com mais calma, em Los Cardales, onde a seleção se concentrou na Argentina.

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