Para Puyol, Neymar pode ganhar sozinho

Escaldado por vacilo na decisão de 2006 contra o Inter, zagueiro do Barça alerta que o craque merece atenção especial

YOKOHAMA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h00

Com autoridade de capitão, o zagueiro Puyol foi escalado ontem para a coletiva de imprensa organizada pela Fifa com jogadores e o técnico do Barcelona, Pep Guardiola. E falou sobre Neymar, o garoto que virou objeto de desejo na Espanha e gosta de jogar justamente no setor em que ele atua.

Puyol não usou meias palavras e foi sincero: "É um jogador que faz a diferença, que pode ganhar um jogo sozinho."

O experiente zagueiro de 33 anos, que chegou ao Camp Nou ainda garoto, em 1995, deixou claro que Neymar preocupa - e muito - o time catalão em uma possível final no domingo. Puyol sabe que o atacante pode definir o título em um único lance. "Ele é um jogador diferente. Tem força no um contra um, na conclusão para o gol, é muito jovem e tem bastante experiência", disse.

Puyol fala com propriedade. Em 2006, ele estava na decisiva partida contra o Internacional que valeu o título mundial ao clube brasileiro.

O Barcelona, comandado por Ronaldinho Gaúcho, foi superior durante praticamente todo o jogo, mas cometeu um único vacilo no segundo tempo, em uma jogada de contra-ataque e acabou sofrendo o gol de Adriano Gabiru. Um detalhe: foi Puyol quem perdeu no meio de campo a dividida para Iarley, autor do passe para o gol.

O zagueiro, evidentemente, não compara Neymar a Gabiru ou Iarley, mas sabe que o título pode sair um lance isolado. "Neymar tem uma classe diferente, pura e simples. Ele faz coisas que a maioria dos jogadores não consegue e está sempre tentando marcar gols. É um jogador muito perigoso, simplesmente um atacante brilhante", disse.

Ele também garantiu que o Barça não foi ao Japão descansar após uma desgastante maratona de jogos que culminou com uma importante vitória de virada por 3 a 1 sobre o arquirrival Real Madrid, no último sábado, pelo Campeonato Espanhol.

A meta do clube catalão é voltar para casa com mais uma taça na bagagem. "Queremos continuar fazendo história e queremos ser campeões do mundo novamente", disse.

Doze vezes campeão à frente Barça, o técnico Pepe Guardiola também destacou a importância do Mundial e a fome de títulos de seus jogadores. "Disse a eles para não perderem a oportunidade de ganhar o Mundial. É uma oportunidade que só se tem quando se chega aqui. Não fiz referências ao jogo de Madri, apenas falei que tudo que devemos fazer é continuar com nosso cronograma e não perder essa chance, porque jogamos para ser o melhor time do mundo", afirmou.

Foco. O Barça estreia no Mundial quinta-feira às 8h30 (de Brasília) contra o Al-Sadd, do Catar, que eliminou o Esperance, da Tunísia. E Guardiola já alertou os seus atletas para não menosprezarem o rival. "Os jogadores estão conscientes de que esta é uma competição muito dura, pode haver muitas surpresas", disse.

Guardiola também respondeu ao técnico do Santos, Muricy Ramalho, que disse que só daria nota 10 ao técnico espanhol se ele treinasse e triunfasse no Brasil. "Não tenho proposta", limitou-se a dizer, sem dar muito importância.

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