Daniel Teixeira|Estadão
Rayssa Leal, medalhista olímpica no skate Daniel Teixeira|Estadão

Rayssa Leal, medalhista olímpica no skate Daniel Teixeira|Estadão

Para Rayssa Leal, o conto de fadas no skate está apenas começando

Medalhista olímpica brasileira mais jovem da história tem projeto de carreira para os Jogos de Paris e terá pista em sua cidade para poder treinar com mais qualidade

Paulo Favero , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Rayssa Leal, medalhista olímpica no skate Daniel Teixeira|Estadão

Os Jogos de Tóquio foram um conto de fadas para Rayssa Leal, medalha de prata no street skate com apenas 13 anos, se tornando a brasileira mais jovem da história a subir ao pódio na Olimpíada. Ela foi para o Japão como uma criança na delegação do Time Brasil e voltou como inspiração para milhares de pessoas de todas as idades.

"Mudou muita coisa na minha vida. Antes não gostava tanto de sair, agora gosto. As pessoas pedem fotos, um abraço, autógrafo. E as viagens estão bem mais constantes", diz a menina ao Estadão. "Almejo poder inspirar mais garotas e outras pessoas a andarem mais de skate. Quero ver o sorriso no rosto delas, ter bons resultados nos campeonatos e continuar me divertindo", continua.

Não só a vida dela mudou, como a de toda família foi transformada. Obviamente que a situação financeira dessa garota de Imperatriz, no Maranhão, é bem diferente de anos atrás, quando as dificuldades eram enormes. Agora ela é cobiçada por multinacionais e pode se dar ao luxo de escolher qual marca prefere estampar seu rosto de acordo com seu gosto pessoal.

Por trás desse prodígio do skate está Tatiana Braga, que vem gerenciando a imagem da atleta nos últimos anos. Para ela, o mais importante nesse processo é a garota se sentir à vontade com a situação. "A Rayssa não é atriz, não é influenciadora, não está acostumada com todos esses holofotes. Ela é uma atleta e tem 13 anos. Então quando sentem que tem uma exigência muito grande ou algo que vai pesar no dia a dia dela, ou tirar a essência dela como criança, os pais dela já seguram", revela.

A mãe Lilian, que também é uma espécie de técnica, acompanha a Fadinha para todo lugar, seja eventos de patrocinadores ou competições. Quando podem, o pai e o irmão mais novo vão juntos. Na última semana todos vieram para São Paulo para levar a atleta para participar do congresso Liga Nescau Summit em um debate ao lado de Falcão, maior jogador da história do futsal.

"Quando a gente fala de uma família que vem do interior do Nordeste, com todas as dificuldades que eles passaram, que é a realidade de todos os atletas do Brasil, a gente sabe o quanto uma proposta comercial pode ser atrativa. Mas eles sabem avaliar quando não é o momento, para não ser estressante para ela como criança", diz Tatiana.

O talento precoce está sendo lapidado para que o esporte seja uma diversão e não um trabalho. A família deixa isso claro a todo momento e Tatiana faz questão de garantir isso. "O propósito é fazer a jornada da Rayssa até 2024 mais leve e nossa estratégia é trazer parceiros de negócio que entendam que a Rayssa é uma criança e que isso é a primeira coisa a ser levada em consideração. É a agenda dela de criança, de escola, são as vontades dela", explica.

O time Rayssa possui uma gestão integrada de carreira, com parceiros de confiança que ajudam a família como assessor de imprensa, advogado especializado em contratos de atletas, entre outros. Fadinha tem patrocínios para as peças do skate, como lixa, shape, roda, truck e rolamento, mas também tem outros contratos de imagem. Se para o ciclo até Tóquio ela tinha quatro marcas junto com ela, agora já tem quase o dobro até os Jogos de Paris, em 2024. Fora apoiadores que se envolvem em campanhas esporádicas por um período menor. "Estamos com parceiros legais, que realmente têm a ver e fazem parte do dia a dia dela", afirma.

Muitos skatistas de ponta costumam deixar o Brasil para poder treinar com mais qualidade. Isso inevitavelmente vai ocorrer com Rayssa, mas não agora. No momento todos os esforços estão sendo feitos para construir uma pista profissional em Imperatriz. "Lá ela treina na praça, não tem um local apropriado. Então a ideia é dar a melhor pista possível para ela lá na cidade. A família ainda quer ficar lá por mais tempo e só estamos buscando um lugar para construí-la. Tenho certeza de que vai ajudar a Rayssa a ter um nível de competitividade ideal. E tomara que venham outras Rayssas de lá", comenta Tatiana.

Enquanto sua pista não chega, Rayssa vai conquistando novos fãs com seu carisma. Ela sabe o quanto a medalha olímpica projetou sua carreira. "Em todos os campeonato que eu ia os amigos da escola mandavam boas energias e fico grata por ter amigos que te apoiam a fazer o que ama. Eu me inspiro todos os dias nas meninas que mandam mensagem, na Leticia Bufoni, fico feliz e vou aprendendo novas manobras. Saber que sou inspiração é muito gratificante", diz a garota.

Ela conta que foi em uma escolinha de skate em São Paulo e muitas falavam que começaram a andar por causa dela. "O skate era muito marginalizado. Saber que a gente pôde quebrar esse padrão é muito legal. Agora os pais estão deixando as crianças serem felizes andando de skate", afirma, aproveitando para dar dicas a quem está começando. "Não desistir é a primeira coisa. A segunda é ver vídeos no YouTube e foi lá que eu aprendi manobras na maioria das vezes. E por último ter o material correto para começar a andar, pois se usar o equipamento errado vai perder a motivação."

A atleta já vem se preparando para os Jogos de Paris, quando estará com 16 anos. Para a menina que teve um vídeo viralizado quando era bem pequena, andando de skate vestida de fada e mostrando uma desenvoltura impressionante, o conto de fadas está apenas começando. "Não só acredito como eu sou uma fada. Sempre acreditei e a primeira vez foi quando minha mãe falava que se colocasse o dente que caiu debaixo do travesseiro poderia ganhar algo. Desde então sempre acreditei", conclui a Fadinha do skate.

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Confira dicas e manobras para começar a andar de skate

Em vídeo, veja passo a passo para fazer ollie air, frontside ollie e varial; saiba como montar um bom skate para a prática

Iolanda Paz, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 10h00

Depois do sucesso do skate na Olimpíada de Tóquio, a procura pelo esporte cresceu no Brasil. A ONG Social Skate vive essa realidade, com aumento de visitantes e turmas lotadas. Para quem quer começar a andar, Fábio Castilho, consultor técnico da seleção brasileira de skate street júnior, dá cinco dicas e ensina três manobras para iniciantes - ollie air, frontside ollie e varial. Castilho ressalta a importância de usar roupas confortáveis e equipamento de proteção, além de montar um skate ajustado ao tamanho dos pés e escolher um local adequado para a prática.

Skatista profissional, Castilho também é professor de educação física na ONG Social Skate. "Hoje eu vivo os bastidores do esporte, preparando a galera", conta. "Cada dia é uma realização". Para Castilho, é gratificante poder trabalhar com crianças e repassar seu conhecimento para a futura geração do skate, principalmente considerando que estão em um bairro periférico. "Eles não exigem muito, só atenção e uma troca de experiência", diz. "Lá na frente, sempre temos um resultado positivo".

Confira as manobras e dicas para iniciantes:

1. Montagem do skate

Se você quer aprender a fazer manobras, não compre um skate de brinquedo, porque ele pode acabar te desmotivando. Em vez disso, procure um lugar especializado e monte seu skate. Para quem é iniciante, é importante que o shape (o corpo do skate, a parte em madeira) seja um pouco mais largo, do tamanho do seu calçado, para que não fique nem seu dedão nem seu calcanhar para fora. Esse detalhe te dará mais estabilidade e evitará que seu pé toque o solo acidentalmente - o que te ajudará a não errar manobras.

Além disso, escolha trucks (o eixo do skate, onde são fixados os rolamentos e as rodas) que sejam firmes e resistentes, porque eles são responsáveis por dar toda sustentação ao equipamento. Para as rodas, prefira aquelas que não são tão pequenas, para você não ter o perigo de dar um impulso e travar em alguma pedrinha. Os tamanhos indicados para quem está começando é de 51 mm para cima.

2. Roupas confortáveis

Você vai precisar de roupas que te proporcionem mobilidade para fazer as manobras. Por isso, peças mais largas e confortáveis podem ajudar. Fuja das calças jeans, porque elas travam o movimento do seu corpo.

3. Proteção

O skate é um esporte com muitos movimentos involuntários e quedas - ainda mais pra quem está iniciando. Como você não vai querer se machucar e muito menos criar um trauma, é imprescindível utilizar capacete. Se você for andar em pista, também é importante usar joelheira e cotoveleira.

4. Um bom lugar para a prática

Escolha um local plano e com bastante espaço. Para quem está começando, obstáculos podem atrapalhar e, inclusive, te machucar em uma possível queda. Fábio Castilho indica as quadras como lugar perfeito para a prática dos iniciantes.

5. Descubra sua base

No seu primeiro contato com o skate, você vai descobrir a perna que tem mais confiança para subir no shape - e isso não vai mudar depois. Se você colocar o pé esquerdo na frente, sua base será "regular". Já se você subir no skate primeiro com o pé direito, será "goofy". O pé que fica para trás, normalmente, é o que temos mais força, porque ele é o responsável por dar impulso aos movimentos.

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Rayssa Leal indicou instituição para receber doação de 50 mil dólares Léo Souza| Estadão

Beneficiada por Rayssa Leal, ONG Social Skate une esporte e educação há 10 anos

Conheça projeto social em Poá escolhido pela Fadinha do Skate para receber US$ 50 mil após vencer prêmio por espírito olímpico nos Jogos de Tóquio

Iolanda Paz , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Rayssa Leal indicou instituição para receber doação de 50 mil dólares Léo Souza| Estadão

Além de encantar o mundo nos Jogos de Tóquio e conquistar a medalha de prata no skate street feminino, a Fadinha Rayssa Leal também venceu o Visa Award. Com votação popular, o prêmio do Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu o atleta que melhor representou os valores olímpicos nesta edição. Como ganhadora, Rayssa teve o direito de indicar uma instituição para ser beneficiada com uma doação de US$ 50 mil. A escolha da Fadinha foi a ONG Social Skate, um projeto social em Poá, na Grande São Paulo, que une esporte e educação há 10 anos. Para o fundador Sandro Soares, skatista conhecido como 'Testinha', foi a longevidade do trabalho da ONG que pesou na decisão de Rayssa.

O skatista Sandro Testinha levou um susto quando seu celular começou a tremer sem parar, com notificações de milhares de pessoas seguindo o perfil da ONG no Instagram. Era o efeito de uma postagem da Rayssa anunciando que estava concorrendo ao Visa Award e que, caso ganhasse, faria a doação para a Social Skate. Com a menção da Fadinha, o número de seguidores da ONG saltou de 30 para 40 mil. "Fiquei muito feliz quando a Rayssa disse que nós já promovemos coisas boas para o skate desde antes de ela começar a andar", conta Testinha. O skatista também lembra que, quando a Fadinha ganhou a medalha na Olimpíada, ela fez questão de agradecer às gerações anteriores de seu esporte.

A relação de Rayssa com os membros da ONG começou logo antes da pandemia, quando eles se conheceram em algumas eliminatórias pré-olímpicas que aconteceram em São Paulo. A Social Skate costuma promover excursões periodicamente e, naquela época, levou seus alunos para dois campeonatos em que a Fadinha estava competindo. Como todos que assistiram à Olimpíada, as crianças ficaram impressionadas com o talento da Rayssa – tão nova quanto elas. "Rolou tietagem e muitas fotos", conta Testinha. Depois, o skatista percebeu que os administradores do perfil da Fadinha estavam seguindo a ONG no Instagram e curtindo postagens. "Conheceram nossa missão e viram que estamos cumprindo-a há bastante tempo", comenta sobre a indicação de Rayssa.

Testinha já atua com projetos sociais há mais de 20 anos. Antes de fundar a ONG, desenvolvia um trabalho na Fundação Casa, antiga Febem. Porém, entre 2010 e 2011, o skatista sentiu vontade de influenciar positivamente a vida de crianças e adolescentes antes de que eles chegassem às medidas socioeducativas da instituição. Foi quando, junto com a pedagoga Leila Vieira, decidiu criar a Social Skate, em Poá, na Grande São Paulo, com o objetivo de unir esporte e educação.

Naquela época, o skate era visto como um esporte marginalizado e até mesmo transgressor de regras. Sem o atual glamour proporcionado pelas Olimpíadas, o início da ONG foi difícil, mas sua missão foi colocar o skate como uma ferramenta pedagógica e lúdica, que pudesse fortalecer vínculos sociais. "Para além do esporte de alto rendimento, o skate educacional entra para preencher várias lacunas. Ele melhora não só a saúde da criançada, mas também o entorno, toda a comunidade", diz Testinha.

O instrutor Mauro Sartorelli explica que, embora a ONG tenha potencial para desenvolver skatistas competidores, não é esse o foco principal. "Nosso objetivo é fazer com que nossos alunos entendam a situação social em que vivem, que saibam trabalhar em grupo e lidar com emoções", afirma. "Queremos melhorar um pouco a qualidade de vida deles, considerando que estão em um bairro periférico". Em turmas divididas por faixa etária, a Social Skate atende 150 crianças e adolescentes de 4 a 17 anos. Ao todo, são sete educadores que se revezam nas aulas, além de assistente social para oferecer suporte aos alunos.

Seguindo os protocolos de segurança da pandemia, as atividades são realizadas em uma quadra no bairro de Calmon Viana, em Poá. Anos atrás, o espaço foi revitalizado pela ONG, depois de passar um período desassistido pelo poder público e ter sido usado como ponto de venda de drogas. Para a Social Skate desenvolver seu trabalho, Testinha conversou com os traficantes, que concordaram em ceder o local para a ONG. "Ocupar, revitalizar e fazer funcionar. Esses foram os 3 pilares que estabelecemos", diz o skatista.

A ONG Social Skate foi criada de maneira orgânica, sem planejamento financeiro. Em 2010, era o início do boom das redes sociais, que foram usadas para chamar atenção para o projeto. Seus primeiros apoiadores foram os próprios skatistas que, colegas de Testinha, viram fotos e decidiram ajudar. Nomes como Bob Burnquist, Sandro Dias Mineirinho e outros não tão conhecidos do grande público – como Luan de Oliveira e Rodrigo Tx – passaram a doar equipamentos usados e em boa qualidade para a ONG.

Nessa época, os fundadores Sandro Testinha e Leila Vieira colocavam dinheiro do próprio bolso para patrocinar a Social Skate. Com o tempo, foram descobrindo como se candidatar para Leis de Incentivo e se tornaram beneficiários. Além disso, foram convidados para alguns programas de televisão e conseguiram maior visibilidade, o que ajudou a captar patrocínio direto de grandes empresas – dentre elas, Nike, Vans e Centauro. "Como eu costumo dizer, é muito semelhante ao carnaval: acabamos de lançar um projeto, já precisamos pensar como vamos fazer para o próximo ano", diz Testinha.

Com relação aos US$ 50 mil que serão recebidos por causa do Visa Award, a ONG está aguardando um processo burocrático para saber quando o recurso vai chegar e se haverá regras para sua utilização. É possível, por exemplo, que o dinheiro tenha de ser destinado especificamente para compra de equipamentos, ou para investimento em recursos humanos, dentre outras possibilidades. "Independentemente do valor que recebermos e de como ele tiver que ser utilizado, esse dinheiro vai ampliar e melhorar o projeto", afirma Testinha. "Vai trazer mais dignidade para as crianças que atendemos aqui".

A fadinha da ONG

Por incentivo de um vizinho, Ana Clara Gonçalves começou a andar de skate com 6 anos, na rua de sua casa. Não demorou muito até que a menina ouvisse falar da ONG Social Skate em um programa de televisão, e seu pai se empolgasse para conhecer o projeto. Matriculada, Ana Clara não só aprendeu manobras como também fez amizades, conheceu lugares novos e, principalmente, se divertiu. "O skate me tirou do meu mundinho. Quando eu comecei, eu não tinha nenhum amigo", diz. "Hoje eu posso falar que tenho mais de 10 colegas para andar comigo."

A garota tem a skatista Rayssa Leal como uma de suas maiores inspirações, desde antes das Olimpíadas. "Lembro de ser bem pequena quando assisti ao vídeo da Rayssa mandando manobra na escada, com a fantasia de fadinha", conta. Por causa das semelhanças de idade e talento, os colegas de Ana Clara passaram a chamá-la carinhosamente de "fadinha da ONG". Além de Rayssa, a adolescente também se espelha em outras skatistas brasileiras, como Pâmela Rosa e Letícia Bufoni.  

Ana Clara foi aluna da ONG até seus 15 anos, quando se tornou instrutora. Missão recente, a jovem procura passar o que aprendeu durante esse longo período. "Nunca imaginei que chegaria a dar aulas, mas é muito gratificante", conta. Para a fadinha da ONG, a interação com as crianças está entre as maiores recompensas do trabalho. São momentos que Ana Clara diz que levará para a vida: "Tia, estava com saudade. Aprendi a manobra que você falou para eu tentar".

Como instrutora, a fadinha da ONG tem um cuidado especial com as meninas, por ter vivenciado o machismo na infância. "Já ouvi de familiares meus que é um esporte de menino", diz. Para Ana Clara, a representatividade trazida pelas skatistas brasileiras nas Olimpíadas foi muito importante e gerou um incentivo para as garotas começarem a andar. "Temos que acreditar nos nossos sonhos e confiar no nosso potencial", afirma. "Sempre existirão pessoas para nos criticar, mas sempre existirão outras para nos apoiar".

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Confederação Brasileira de Skate oferece atenção especial aos atletas mais novos

Dirigente diz que entidade dá 'ajuda de custo ao acompanhante durante as viagens e trabalho de psicóloga envolve todo o entorno familiar e não apenas o skatista em si'

Entrevista com

Eduardo Musa, presidente da CBSk

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 05h01

A Confederação Brasileira de Skate dá atenção especial aos atletas mais jovens. É da cultura da modalidade a convivência entre gerações, mas a entidade estende o suporte também à família das crianças.

"Oferecemos ajuda de custo ao acompanhante durante as viagens. Além disso, nesses casos, o trabalho da nossa psicóloga envolve todo o entorno familiar e não apenas o skatista em si", explica Eduardo Musa, presidente da CBSk.

Como é o trabalho da confederação com os atletas de ponta?

Os skatistas que integram a Seleção Brasileira contam com o suporte de uma comissão técnica multidisciplinar. São consultores técnicos, observador técnico, fisioterapeutas, médico, psicóloga e uma área administrativa. Ou seja, a equipe que formamos na CBSk procura atender todas as frentes importantes para o alto desempenho. Nos eventos, o apoio desta comissão se estende a outros brasileiros, a skatistas que também estão focados na vertente esportiva da modalidade.

Como é o trabalho específico com atletas que são muito novos, mas já integram a seleção?

Uma coisa que precisamos contextualizar é que o skate sempre conviveu com esse cenário em que os mais novos andam com os mais velhos. É da cultura da modalidade. Mas quando falamos de esporte de alto rendimento, precisamos ter uma atenção especial aos mais jovens. O que a CBSk vem fazendo nesses casos é estender às famílias o suporte que já prestamos aos skatistas. Por exemplo, oferecemos ajuda de custo ao acompanhante durante as viagens. Além disso, nesses casos, o trabalho da nossa psicóloga envolve todo o entorno familiar e não apenas o skatista em si. No fim, toda a estrutura da comissão também funciona dessa forma, com os pais sendo envolvidos e participando de todos os processos.

A Rayssa Leal é um fenômeno da modalidade, mas muito jovem. Como a confederação lida com essa situação?

Apesar da pouca idade, a Rayssa é muito madura para uma menina de 13 anos. Ela tem uma postura de veterana quando está competindo e, ao mesmo tempo, mantém um ar de menina. A gente percebe nos eventos que ela está se divertindo. E é isso que sempre incentivamos. Não só com a Rayssa, mas com todos, sobretudo os mais novos, que eles nunca percam a alegria de andar de skate. E assim como em outros casos de skatistas mais jovens da Seleção, no caso da Rayssa nosso suporte envolve o todo familiar. Mantemos contato frequente com a família para saber como as coisas estão e de que forma podemos ajudar. Pelo êxito que tivemos na Olimpíada, e digo isso não apenas pela medalha, mas pela felicidade da Rayssa em todo o evento, creio que estamos no caminho certo.

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