Eric Bolte/USA TODAY Sports
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Para uma jogadora de golfe da LPGA, um prêmio de um milhão de dólares compensa a dor

Lee-Anne Pace enfrenta agenda brutal de competições para ganhar um dos maiores prêmios do golfe feminino

Karen Crouse, The New York Times

28 de setembro de 2019 | 16h38

Portland, Oregon — A jogadora de golfe sul-africana Lee-Anne Pace estava pronta para se aposentar nesta primavera. Ela estava na estrada há mais de uma década, seu corpo doía quase constantemente, e seus picos, que incluíam a liderança nas premiações ganhadas na Ladies European Tour em 2010, pareciam manchas num espelho retrovisor.

Então sua irmã, que tinha encontrado uma lista chocante on-line contou a ela a novidade. Foi a classificação para uma competição risk-rewarding, que durou uma temporada, que se acredita ser a primeira competição no golfe a oferecer um bônus igual para os vencedores das turnês PGA (Associação dos jogadores profissionais de golfe dos EUA) e LPGA (Ladies Professional Golf Association). O prêmio: US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 4,1 milhões), o tipo de pagamento único que apenas duas outras mulheres - as vencedoras do Aberto Feminino dos EUA e do Tour Championship – vão ver este ano.

“E você está liderando”, disse a irmã de Pace, Simone Krug. “Então você não pode desistir.”

Pace, 38 anos, não fazia ideia. Até onde ela sabia, a temporada fora um desastre. Seu contador havia lhe dito que, após as despesas, ela estava com um prejuízo de US$ 50 mil durante o ano.

Mas sua irmã estava certa. Ela não conseguiria sair, por mais que seu amor pelo jogo sucumbisse à exaustão, à dor e ao desejo de retornar à África do Sul. Na maior parte dos dias, Pace dizia: “Eu só quero ir para casa”.

Mas Pace, que ingressou no LPGA em 2007, fará pelo menos mais um começo, na próxima semana no Texas.

“As chances são muito altas contra mim, mesmo estando nesta posição”, disse ela.

Pace, que está fora das 50 melhores em distância de driving, fora dos 140 melhores em colocação e fora dos 250 melhores do mundo, não tem a menor ideia de como conseguiu reunir a melhor pontuação acumulada na competição, na qual os jogadores acumulam pontos com base em como eles navegam em buracos estrategicamente desafiadores, designados a cada semana. Sua adversária mais próxima, Ariya Jutanugarn, da Tailândia, é a número 7 entre as mulheres, a melhor jogadora do ano, duas vezes maior vencedora e uma das maiores rebatedoras da turnê.

“Este ano foi muito estranho”, disse Pace em agosto, “porque eu queria parar de jogar há quatro ou cinco semanas”.

As lesões no pescoço, nas costas e no quadril limitaram Pace a 15 partidas e US$ 46.856 em ganhos, muito aquém de suas despesas anuais com viagens e treinamento, que ela disse que são de aproximadamente US$ 100 mil a US$ 200 mil. Mas desde aquela conversa com sua irmã, a busca pelo bônus de US$ 1 milhão que parece tentadora e provocativamente ao seu alcance, consumiu Pace, que deve registrar 40 rodadas competitivas para ter direito ao dinheiro.

A Pace só falta uma rodada para atingir o mínimo da rodada e ainda liderar a competição. Mas seu corpo está em colapso, mesmo que ela continue fazendo contas com um milhão de dólares em sua cabeça.

“Eu definitivamente penso sobre isso”, disse Pace, referindo-se ao bônus de US$ 1 milhão oferecido pela Aon, uma provedora global de serviços profissionais. O pagamento seria próximo de 15 milhões de rands sul-africanos, o que, ela disse, “é uma coisa imensa, obviamente. O dinheiro nunca foi uma motivação para mim, se isso faz sentido, mas todo mundo está falando sobre isso em casa. É superimportante porque pode mudar minha vida.”

Então, ela vai dar uma tacada na próxima semana no Old American Golf Club, no subúrbio de Dallas, e esperar que ela possa, de alguma forma, manter sua liderança.

Pace, cuja marcha lembra alguém que anda descalço por cima de pedras, estava cinco rodadas a menos do que o mínimo de Aon em seu início mais recente, no Portland Classic em Oregon, no final de agosto. Ela jogou os primeiros 36 buracos em 11 abaixo do par, enquanto tomava quase metade dos swings com seu driver para proteger suas costas com lesão. Ela entrou no fim de semana empatada em quarto lugar - e totalmente ciente de que um dos três primeiros lugares abriria caminho para os lucrativos e limitados eventos do outono na Ásia para os quais ela ainda não está qualificada.

Ela jogou os 36 buracos finais em 8 acima do par e terminou empatada em 57º - mas de alguma forma ela permaneceu no topo da classificação do Aon Challenge. O plano de Pace era jogar nos dois últimos eventos nos Estados Unidos antes da turnê se mudar para a Ásia, começando com o torneio desta semana em Indianápolis.

Seu corpo tinha outros planos.

“Infelizmente, jogar quatro rodadas em Portland causou mais danos”, disse Pace, que acrescentou: “Não acho sensato jogar mais dois eventos com uma lesão nas costas”.

Durante as três semanas de setembro em que o LPGA Tour fez um hiato para a Copa Solheim, Pace voltou para sua residência de periódica na França, onde recebeu o diagnóstico de um distúrbio da coluna vertebral, a síndrome de Maignes, caracterizada por dificuldade em torcer o torso sem grande desconforto.

Ela pensou em desistir da busca pelos de US$ 1 milhão antes de Portland. Na semana anterior, seus quadris doíam tanto, que ela se retirou durante a primeira rodada do CP Open no Canadá, no buraco depois de registrar um quadruple-bogey 9. Por acaso, ela registrou a pontuação mais alta na semana designada risk-rewarding e, como ela se retirou, a pontuação não contava contra seu total de uma temporada.

Pace descreveu como “nociva” qualquer sugestão de que ela se retirou rapidamente para proteger sua liderança. Ela se lembrou do Campeonato Feminino da PGA do ano passado, onde basicamente desqualificou-se no meio da partida quando percebeu que havia violado uma regra usando uma cunha de areia que havia danificado ao bater contra uma estaca após um tiro fraco. Ninguém mais teria notado o dano se ela não tivesse levado ao conhecimento de um oficial de regras.

“As pessoas tendem a esquecer coisas assim”, disse Pace com um suspiro.

Tradução de Claudia Bozzo

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