Paralisação da obra ameaça patrocinador

Allianz interrompeu negociação depois que queda de lajes matou operário e Subprefeitura da Lapa interditou o local

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h05

Uma semana depois da tragédia que vitimou o operário Carlos de Jesus, de 34 anos, nas obras da Arena Palestra, a situação só piorou para a WTorre, construtora responsável pela obra. E o futuro pode ser sombrio. A Allianz, seguradora interessada nos naming rights da arena paralisou a negociação, que já estava bem adiantada, para ter o nome do estádio pelos próximos 20 anos, pelo menos.

O temor da empresa alemã é de que sua marca fique ligada a algo negativo. Isso, entretanto, não significa que as negociações estejam encerradas. Pessoas ouvidas pelo Estado e que estão envolvidas na negociação asseguram que só uma grande reviravolta - ou uma paralisação de vários meses da obra - impedirá que o acerto seja concretizado.

A Defesa Civil decidiu interditar apenas a parte onde quatro lajes dos setores dos camarotes desabaram e causaram a morte do operário. A Subprefeitura da Lapa, no entanto, interditou toda a obra alegando falta de segurança para os funcionários.

Para tentar contornar a situação e evitar perder um negócio praticamente sacramentado com a Allianz, a WTorre elaborou um laudo no qual alega falha humana para explicar o motivo do acidente.

Mas o laudo da WTorre não tem validade definitiva por não estar avalizado pela Defesa Civil. Assim, as obras vão continuar paradas por tempo indeterminado. "A gente espera que em no máximo 15 dias consigamos resolver tudo. A paralisação da obra é péssima para todo mundo", disse uma pessoa ligada à construtora.

Já é certo que o estádio será entregue somente no ano que vem, mas a cada dia que passa a preocupação com atrasos é maior entre diretores da construtora e do Palmeiras. Tudo depende de quando a obra será retomada, mas engenheiros já admitem a possibilidade de a finalização da obra ficar somente para abril ou maio de 2014.

Confiança em Bruno. Enquanto aguarda a construção de sua nova casa, o Palmeiras se prepara para uma nova fase de decisões. No sábado, enfrenta o Santos, pelo Campeonato Paulista, e, na terça-feira, o confronto será contra o Tijuana, pela Libertadores. O novo problema é a lesão do goleiro Fernando Prass, que ficará dois meses fora de combate por causa de uma luxação no ombro esquerdo.

Em seu lugar entra Bruno, que falhou nos dois gols da derrota por 2 a 1 para o Ituano, domingo. Apesar de toda a pressão, a diretoria já avisou que não pretende contratar outro goleiro.

"Estamos bem servidos de goleiro. O Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil com o Bruno, que tem a nossa confiança. O que aconteceu com ele poderia ter acontecido com qualquer goleiro. Foram lances normais", disse o presidente Paulo Nobre.

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