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Parapan: Antônio Tenório luta contra o tempo perdido

Medalhista de ouro nos últimos três Parapan-Americanos, o judoca Antônio Tenório tem dois desafios pela frente. O primeiro é superar uma infecção no olho direito, que provoca ardência forte. ?Minha preparação já sofreu um atraso de um mês e meio.? Ele saiu satisfeito da última consulta médica - o problema já estaria praticamente superado. A prioridade, porém, é mais complicada e sem prazo determinado. ?Quero que me vejam como um atleta que representa o Brasil em competições importantes. E não como um portador de deficiência visual, um ceguinho. Isso machuca e arde mais que qualquer infecção.?Aos 35 anos, Tenório é a maior referência do judô paraolímpico do País. É quase imbatível na categoria meio-pesado (de 90 a 100 quilos). Para conquistar a quarta medalha de ouro seguida, vai intensificar os treinos - hoje, dedica três horas por dia a lutas e exercícios de reforço muscular. ?Vou ficar contente se chegar em junho com 80% de minhas condições.? O Parapan será disputado de 12 a 19 de agosto.Natural de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo,Tenório mora sozinho, no alojamento do Ibirapuera, a poucos metros da Federação Paulista de Judô Paraolímpico, entidade da qual é diretor remunerado desde 2003. Recebe dali o suficiente para cobrir 50% de suas despesas. O restante arrecada com a prática do esporte.O judoca perdeu a visão do olho esquerdo ainda adolescente: estava com 13 anos e se acidentou brincando com um estilingue. O trauma aumentou seis anos depois - uma infecção causou o descolamento de retina no olho direito e Antônio Tenório ficou totalmente incapacitado de enxergar.?A vida me ensinou a ganhar e perder. A derrota fica. A vitória passa, o sabor é doce. Eu procuro não pensar muito no que aconteceu comigo. Meu objetivo é realizar, produzir.?A opção pelo judô foi anterior ao drama que o marca até hoje: desde os 7 anos Tenório aplicava golpes nos vizinhos, em tatames improvisados. Com a perda da visão, passou por um período de transição até aceitar a realidade e retomar a atividade esportiva e as competições. ?O esporte me reintegrou ao mundo. Eu estava perdido. Fui obrigado a superar tudo isso. Foi o que a vida me propôs. Ou eu cairia num poço sem fundo.?Sua rotina é facilitada pela proximidade entre a casa, a federação e os locais de treino. Levanta cedo todos os dias e, depois do café, segue a pé para o trabalho. Freqüenta bares e restaurantes com amigos e gosta de viajar para o Rio. ?Em Copacabana, meu programa preferido é caminhar pelo calçadão e beber água de coco.?Tenório tem quatro irmãos, mas o contato com eles é escasso. Não gosta de depender de ninguém. Se receber mais uma medalha de ouro, no Parapan do Rio, já sabe a quem oferecer. ?A todos os nossos esportistas paraolímpicos. Sou pioneiro dessa atividade no Brasil. No início, eu dormia no chão, em alojamentos com 50 pessoas. Agora, ficamos em hotéis, com no máximo duas pessoas em cada quarto. Já houve um bom salto. Existe mais profissionalismo. Mas a distância para os europeus ainda continua muito grande.?

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