''Parar de jogar com 34 anos é ruim. Foi triste''

ALFREDO SAMPAIO, Primeiro técnico de Ronaldo, no São Cristóvão

Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Primeiro treinador de Ronaldo, Alfredo Sampaio ficou emocionado ao ver seu nome citado durante a coletiva em que o atacante anunciou o fim da carreira. Os dois trabalharam juntos nas categorias de base do São Cristóvão em 1991 e 1992. "Mexeu comigo. Isso mostra que ele é uma pessoa simples e sabe reconhecer", afirmou Sampaio, que preside o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol do Rio (Saferj). Atualmente, ele comanda a grande surpresa do Campeonato Carioca: o Boavista, classificado para as semifinais da Taça Guanabara - enfrenta, no sábado, o Fluminense. "Queremos ir mais longe", confia.

Ao treinar o atacante Ronaldo nas categorias de base do São Cristóvão, já foi possível notar que nascia ali um fenômeno?

Ele, realmente, era diferenciado. Mas, naquela época, seria muita pretensão minha afirmar que surgiria um fenômeno que conquistaria o mundo. Apostava que ele seria um grande jogador, atuaria num grande clube, mas não imaginava que fosse isso tudo. Ele era rápido, fazia muitos gols e sempre foi titular.

Aquele jovem franzino e cheio de vontade de vencer na vida brilhava contra os jogadores mais velhos do São Cristóvão?

Sim. Tanto é que ele era do infantil e levei-o imediatamente para jogar nos juniores, uma categoria acima, por causa do seu futebol de nível técnico acima da média.

Como viu a despedida do seu ex-jogador mais famoso?

Com certa melancolia. Se não fosse por questão de ordem médica, Ronaldo jogaria facilmente até os 37 anos. Futebol ele tem de sobra. Parar com 34 anos é ruim. Foi triste. Ficou a sensação de que poderia ter sido bem mais tempo de carreira, com mais gols.

Vocês perderam o contato?

Não nos falamos direto. Mas, quando a gente se encontra, é sempre bem agradável. Há muito respeito e carinho. Ele fez até uma menção a mim durante a coletiva em que anunciou a aposentadoria (na segunda-feira). Foi bem legal.

Emocionou-se?

Mexeu comigo. São essas as coisas legais do futebol e são poucos os que reconhecem o trabalho dos outros. O mundo ouviu o Ronaldo citar meu nome; fiquei sensibilizado. Isso comprava a pessoa simples e boa que ele é.

Agora, vamos falar do Boavista. Que campanha surpreendente, hein?

Nem tão surpreendente. Quando vi o Vasco tropeçar seguidamente, abriu uma vaga para um clube de menor expressão chegar à semifinal da Taça Guanabara. Qualquer um dos três (Boavista, Resende e Nova Iguaçu) poderia conquistar esse direito.

A classificação só veio no último minuto do jogo com o Nova Iguaçu, gol heroico do atacante Max, no domingo passado. Foi um teste para o coração, né?

(Risos). Foi uma partida histórica (5 a 3 para o Boavista), típico jogo que mata treinador e mata os velhinhos nas arquibancadas. Mas, no fim, deu tudo certo. Estou feliz.

O Fluminense é favorito?

Sim. Não tem como negar. Se não for o melhor, o Fluminense é um dos melhores times do País. Contra eles, vou ter de tomar algumas precauções normais para um time de menor porte (jogar com mais cautela defensiva). Vai ser um duelo complicado. Há motivação e sonho em jogo.

O Boavista já se dar por satisfeito por disputar a fase decisiva da Taça Guanabara?

Não podemos achar que acabou. Temos objetivo e sonho. Todo mundo deseja crescer na profissão. Logo, é preciso ir mais longe, chegar à decisão.

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