Douglas Gomes/Divulgação
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Parlamentares dizem que Hilton nunca teve atuação no esporte

Líder do PRB na Câmara dos Deputados assume o ministério do Esporte no lugar de Aldo Rebelo (PCdoB) dia 1º de janeiro

DAIENE CARDOSO E RICARDO BRITO, Estadão Conteúdo

29 de dezembro de 2014 | 19h36

Parlamentares da Frente Mista do Esporte viram com preocupação a indicação de George Hilton (MG), líder da bancada do PRB na Câmara dos Deputados, para o ministério do Esporte no lugar de Aldo Rebelo (PCdoB). Colegas do deputado na Frente dizem que Hilton nunca trabalhou em defesa de projetos ligados à área e que sua atuação na Casa sempre foi voltada para os interesses da bancada evangélica.

"Soa muito estranho o nome indicado porque, até onde sei, e acompanho o funcionamento do Congresso há 12 anos, não conheço esse vínculo, interesse e contribuição dele para o setor", afirmou o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA). "O George nunca sequer jogou bolinha de gude", resumiu um parlamentar atuante na área.

Quatro integrantes da frente ouvidos pela Agência Estado tiveram dificuldade em se recordar de alguma participação de Hilton na frente ou nos últimos debates promovidos na Casa, por exemplo, para discutir o legado da Copa do Mundo ou a proposta que tratou do refinanciamento da dívida dos clubes de futebol. O líder do PRB não é membro da Comissão do Esporte e, em seu histórico de atuação desde 2007, passou pelas Comissões de Minas e Energia, Relações Exteriores e de Defesa Nacional, Constituição e Justiça, Cultura e Educação.

Nos bastidores, os parlamentares contam que o PRB havia fechado o apoio à candidatura de Dilma Rousseff com a condição de que teria um lugar mais expressivo na Esplanada dos Ministérios e que indicaria um deputado da bancada no Congresso. A avaliação é que a presidente Dilma avaliou apenas o "custo-benefício" ao entregar o Esporte para o PRB. O cálculo, lembram, leva em consideração que o partido de Hilton terá 21 deputados na Câmara, enquanto o PCdoB, apenas 10 na próxima legislatura. E, como o governo não terá uma ampla base aliada no Congresso, a presidente foi pragmática na composição do novo ministério. "Ele (George Hilton) é a bolinha de gude", concluiu outro deputado.

Por causa da realização dos Jogos Olímpicos do Rio/2016, os dois próximos anos serão cruciais para o esporte brasileiro, avaliou o ex-goleiro e deputado federal Danrlei (PSD-RS). O ex-jogador de futebol elogiou o trabalho de Aldo Rebelo na realização da Copa e disse apoiar as críticas da organização Atletas pelo Brasil, que nesta segunda-feira atacou a indicação de Hilton. "É difícil entender algumas coisas", lamentou.

O peemedebista Lúcio Vieira Lima (BA), outro membro da Frente Parlamentar Mista do Esporte, preferiu não atacar a indicação, mas questionou a saída de Rebelo. Para o deputado, o atual ministro tem mais experiência para conduzir a realização da Olimpíada. "Acho que a manutenção do Aldo, diante de um grande evento como foi a Copa do Mundo, seria demais de bom", comentou.

O deputado comunista Daniel Almeida resumiu assim a saída do PCdoB da pasta em favor de Hilton, do PRB: "Pegou mal, não foi uma mudança feliz", afirmou. Mas, segundo ele, Dilma deve ter suas razões para ter feito essa escolha.

Mesmo diante das resistências do meio esportivo e da própria bancada do esporte, a avaliação dos parlamentares é que Dilma não alterará Hilton por supostamente não ter experiência no setor ao menos neste primeiro momento.

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