Passagem da tocha olímpica causa confusão em San Francisco

Houve confusão na passagem datocha olímpica por San Francisco, na quarta-feira, apesar damudança de última hora no percurso, que surpreendeu milhares demanifestantes e entusiastas do evento. O primeiro corredor empunhou a tocha e iniciou o trajeto,escoltado por agentes chineses altos, vestidos de azul. O grupoentão sumiu dentro de um imenso galpão à margem d'água, numaalteração de última hora das autoridades para evitardistúrbios. A "Jornada de Harmonia", como foi batizada pelosorganizadores, rapidamente virou uma jornada de procura datocha perdida. Essa é a única etapa do revezamento olímpico nos EstadosUnidos. A passagem da tocha já provocou protestos na semanapassada em Londres e Paris, por causa de questões como arepressão chinesa no Tibet e a situação dos direitos humanos nopaís anfitrião da próxima Olimpíada, em agosto. Depois que a tocha desapareceu no galpão, a presença dejet-skis e barcos da polícia sugeria que ela poderia ressurgirnuma embarcação. Mas, uma hora depois, ela reapareceu numaimportante rua no sentido norte-sul, a mais de três quilômetrosdali. A platéia ficou perplexa. "Acho que foi covardia. Se elesnão podem correr com a tocha pela cidade, significa que ninguémestá apoiando os Jogos", disse Matt Helmenstine, um professorde 30 anos que empunhava uma bandeira do Tibete. O engenheiro chinês Michael Huo, que trabalha no vale doSilício, acrescentou: "Acho que fomos enganados, porque achoque o significado do revezamento era mostrar a todo o mundo quenosso país está recebendo a Olimpíada." San Francisco tem uma grande comunidade sino-americana, emuitos esperavam com orgulho para ver a tocha. Houve atritoscom os manifestantes pró-Tibet, e pelo menos um deles foidetido mesmo antes do início do evento, que estava previstopara as 13h (17h em Brasília), mas começou atrasado. Em frente ao porto das balsas, Christine Lias, de 30 anos,foi cercada por mais de 30 sino-americanos assim que bradou"Tibet Livre agora!". "Mentirosa, mentirosa, que vergonha!", gritava o grupo. Num belo dia de primavera, San Francisco recebeu centenasde policiais e agentes do FBI. As autoridades avisaram queprenderiam quem cruzasse as barreiras. Milhares de espectadores simpáticos à China se reuniram notrajeto original, muitos empunhando bandeiras da Chinacomunista, dos EUA e do movimento olímpico. O engenheiro de computação sino-americano Don Zheng, de 41anos, que emigrou em 1988, comentava orgulhoso que a realizaçãoda Olimpíada "significa que a China está se tornando umapotência mundial". "Sou leal aos EUA, mas amo a China porque é minha pátria",dizia Alice Liu, 50 anos, que mudou de país em 1989, depois dosprotestos da praça Tiananmen. Scott Benett, 54 anos, um budista do interior daCalifórnia, levava uma bandeira tibetana e também foiintimidado por simpatizantes do evento. Outro assunto que atrai protestos contra o regime comunistaé o apoio de Pequim ao regime sudanês, acusado por alguns decometer genocídio na região de Darfur. (Reportagem de Jim Christie, Amanda Beck, Robert Galbraith,Erin Siegal e Philipp Gollner em San Francisco, Richard Cowanem Washington, Guo Shipeng e Nick Mulvenney em Pequim, LucyHornby em Xiahe, e John Ruwitch em Hong Kong)

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