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Passe precioso

Futebol mesmo quem jogou foi Paulo Henrique Ganso. O meia do São Paulo não foi um monstro e não será lembrado por essa partida, mas o empate no clássico contra o Corinthians foi a tentativa de uma reação, de manutenção da posição na equipe e da reafirmação de sua importância para o time e o futebol brasileiro.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2014 | 02h04

Só depende dele, exatamente como o jogo mostrou. Diante de um Corinthians voltado para a marcação, dono da melhor defesa do campeonato, Muricy e Ganso sabiam que o passe seria tão precioso quanto a movimentação, principalmente diante de um adversário rápido na recomposição defensiva, e que ainda contava com Ralf, Guilherme e Petros no setor do camisa 10 são-paulino.

Ganso não foi sensacional, mas encarou a partida como uma reação. Sabia que não seria fácil jogar entre tantos marcadores. Foi mais convincente nas divididas e construiu o empate, na entrada da área, fruto de um casamento perfeito entre o passe e a finalização do centroavante.

A bola vertical, que penetrou a linha de zagueiros corintianos, foi sensacional, enviada ao ponto futuro como diria Cláudio Coutinho, treinador da seleção brasileira na Copa de 1978. Méritos, muitos méritos para Luis Fabiano, capaz de transformá-la em gol.

O empate pareceu justo para o clássico, justo para um futebol tecnicamente pobre, mais físico do que técnico, que vai queimando rodadas antes do Mundial começar.

Mano Menezes está correto quando afirma que seu time, agora, precisa propor mais o jogo. O primeiro passo para estancar a crise, ainda durante o Campeonato Paulista, foi arrumar a defesa, produzir confiança a partir da marcação para poder agir ofensivamente.

Recuperar bolas e contra-atacar é fundamental, mas o risco é o time ficar viciado nisso, e passar a reagir apenas aos movimentos do adversário.

Elias entrará na equipe depois da Copa do Mundo. A qualidade do meio de campo deverá melhorar bastante, mas ainda é pouco. O Corinthians terá um estádio novo para encher e uma dívida gigantesca para saldar. Vai precisar de atrativos, subir de nível para voltar a empolgar sua torcida.

Lamentavelmente parece que tudo será diferente depois de julho. O que não sabemos é se vai ser melhor ou pior. Por enquanto, a necessidade do São Paulo levar o clássico para a Arena Barueri formaliza a derrota do futebol no Brasil.

É mais importante lucrar com o aluguel do Morumbi para uma banda inglesa do que atender bem o seu cliente, o torcedor. Mas não se pode crucificar o clube por isso. Infelizmente, o momento do esporte brasileiro não permite tratar o freguês com a dignidade necessária para torná-lo um consumidor fiel do futebol.

A profissionalização ainda é um dos nossos maiores desafios, por enquanto presente apenas em congressos de marketing e de gestão esportiva. A realidade, porém, é bem diferente, e tão constrangedora que sai mais barato maltratar o cliente do futebol.

A nova diretoria são-paulina sabe que precisa lutar contra isso. Sabe que com a maior fatia dos direitos de televisão, Corinthians e Flamengo terão, desde que bem administrados, mais dinheiro para investir em jogadores do que a concorrência. Não é, porém, o que tem sido visto nos balanços dos clubes...

A saída passa pela ampliação das demais receitas do futebol e pela transformação do Morumbi na tal casa sacrossanta sempre mencionada por Juvenal Juvêncio. Mas isso não vai ocorrer enquanto o torcedor for chutado para Barueri.

A casa sagrada e santa do São Paulo ainda é o estádio do Morumbi, que continuará a ser dos inquilinos enquanto um showzinho valer mais do que uma dezena de partidas de futebol. Com R$ 1 milhão líquido por cada evento desse tipo, vai demorar muito para o clube se livrar dos alugueis. A renda, em Barueri, alcançou R$ 244.775,00, tirando as despesas... Prejuízo.

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