Pastelão na Escócia

Boleiros

antero.greco@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

05 de outubro de 2007 | 00h00

Já vi sujeito canastrão e mau ator, mas como o Dida ainda está para aparecer, até nos filminhos de fundo de quintal. O número 1 do Milan avacalhou as artes cênicas no pastelão de que foi protagonista, em Glasgow, em jogo com o Celtic, pela Copa dos Campeões. De quebra, o ex-titular da seleção deu um bico no espírito esportivo, ao fingir que levou nocaute de um bobo alegre que entrou em campo e lhe fez um afago no rosto.O comportamento de Dida foi ao mesmo tempo ridículo e deprimente. Um jogador rodado, campeão do mundo, que comeu grama para se projetar, que se enrolou no passado com passaporte fajuto, não precisava apelar para a encenação. Era só deixar as coisas seguirem seu curso que ia sobrar para o Celtic, responsável pela segurança e a ordem em seu estádio.Vai saber o que se passou na cabeça dele, quando de sopetão percebeu um torcedor a roçar-lhe a cara, quase no fim do jogo e depois de ter falhado no lance do segundo gol dos escoceses. A primeira reação, como se pôde ver na tevê, foi a de correr atrás do folgado. Em seguida, cai no chão, espera atendimento, sai de campo na maca, com uma bolsa de gelo. Dá a impressão de que pensou melhor e achou que, se o episódio ganhasse contornos dramáticos, o time mandante perderia os pontos no tapetão. Hipótese triste, mas que não pode ser desprezada.A escolha de Dida foi a pior possível. Se tivesse acertado uns pontapés no escocês maluco, seria gesto grotesco, mas admissível. Afinal, só com sangue de barata para agüentar com passividade a provocação física. No entanto, apelou para a representação sem nenhuma qualidade, quase ingênua. Será que, com tanto tempo de estrada, não se deu conta de que há câmeras em todos os ângulos, que flagram até formiguinha no gramado? Será que não percebeu que não convenceria nem o milanista mais fanático?A cartolagem do Milan ficou constrangida com a opção do atleta e tentou saída elegante. Adriano Galliani, braço direito e a voz do dono Silvio Berlusconi, disse que o clube não faria representação contra o Celtic. Aparentemente, atitude de fair play. Papo furado, conversa pra boi dormir. Se o Milan considerou agressiva a atitude do torcedor - e foi, mesmo com tapinha de leve - tinha o dever de pedir punição para os anfitriões. Preferiu se calar para não agravar o papelão. Mas o Milan e os demais jogadores foram coniventes, no mínimo por omissão. Aqui entre nós, ficou claro que representar não é a praia de Dida. O teatro e o cinema agradecem.MAIS EMOÇÃONa crônica da semana passada, abordei de passagem uma efeméride pessoal - os 30 anos de labuta no jornalismo esportivo. Recebi mensagens carinhosas e as retribuo. Citei alguns companheiros com os quais tive convivência no dia-a-dia do Esporte, apenas por limite de espaço. Felizmente, nesses anos todos, me enriqueci de amigos de todas as áreas das redações pelas quais passei. Eles também são muito queridos, assim como mais alguns ''''boleiros'''' que tomo a liberdade de listar, porque me ajudaram a entender a profissão. Gente como Campos, Cláudio Amaral, Daniel Pereira, Mário Iório, Flávio Adauto, Paulinho Aceesp, Gererê, Elói, Antonio Maria, Tadeu, Calazans, Márcio Guedes, Sérgio Carvalho, Laércio, Maércio, Sandro, PCV, Edu(s) da ESPN e outros, como a moçada do dia-a-dia do Estadão. Fora a saudade de Oldemário, Araújo Neto, Baklanos, Ney Craveiro, Zé Batista, Aimar. Turma boa.

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