Pato estréia com gol de placa

Atacante do Milan entra no 2.º tempo de jogo sonolento e garante a vitória por 1 a 0 sobre a Suécia, em Londres

Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2008 | 00h00

Uma chuva fina começou a cair no Emirates Stadium aos 27 minutos do segundo tempo de Brasil x Suécia, realizado sob o frio que resolveu permanecer em Londres, apesar do início da primavera, em 21 de março. Coincidência ou não, choveu no exato momento em que o mais novo craque do futebol brasileiro, um garoto magrinho, tímido, que se chama Alexandre Pato e já é ídolo na Itália, marcava um gol genial, em sua estréia pela seleção principal. Era o gol da vitória de um amistoso irritante no início e marcante no fim.Pela escalação de Dunga, esperava-se mais da seleção, principalmente de Robinho e Luís Fabiano. Os dois até destoavam, mas não pelo futebol. O ex-santista era o único da equipe brasileira com chuteiras vermelhas e o atacante do Sevilla, ao contrário dos colegas, passou quase todo o tempo com a camisa fora do calção. Ainda assim, Robinho e Diego conseguiram algumas boas jogadas, lembrando vagamente o auge da dupla, na época do Santos.No mais, pela falta de qualidade técnica, a seleção do Brasil não conseguia empolgar. Por poucas vezes, teve bons momentos. No início, Lúcio arrancou aplausos do público ao dar um ''lençol'' num atacante adversário. Mas não demorou muito e o zagueiro voltou a mostrar uma de suas especialidades: dar chutões para o alto.A Suécia ameaçava no contra-ataque e levou perigo a Júlio César pelo menos duas vezes. Numa delas, a partir de um erro de Josué, lento e displicente. Num sinal de que o jogo estava cansativo, a torcida, com maioria de brasileiros, passou a fazer a ''ola''. A coreografia, mais vistosa que o ''espetáculo'' em campo, também servia para aplacar o frio na capital inglesa.Entre os brasileiros nas cadeiras vermelhas do belo estádio do Arsenal, muitos levaram cartazes e faixas. Havia um fã-clube de Alexandre Pato, a cada minuto mais nervoso com a permanência dele na reserva.Expulso em amistoso ano passado contra o México - que lhe custou dois jogos de suspensão -, Dunga viu a partida de um setor reservado. Na área técnica ficou o auxiliar Jorginho, agitado toda vez que a Suécia buscava os contra-ataques. Aos 9 do segundo tempo, não só o fã-clube, como boa parte da platéia, pediu Alexandre Pato. Seis minutos depois, explosão de alegria no Emirates: Pato substituía Luís Fabiano. No mesmo instante, uma vaia intensa quase abafava as homenagens ao novo xodó do futebol brasileiro. Era a vez de Anderson entrar na vaga de Júlio Baptista. Só com a seqüência do jogo, ficou clara a manifestação da torcida: Anderson atua no Manchester United, rival do Arsenal.Sabedoria popular à parte, Pato foi além das expectativas. Numa saída de bola atrapalhada do goleiro da Suécia, ele conseguiu dominá-la e, sem ângulo, completou por cobertura para o gol vazio. Naquele momento, já não era apenas seu fã-clube e mais algumas centenas de vozes a reverenciá-lo. Eram 60 mil pessoas a aplaudi-lo de pé.CHAVES DO JOGO1. A ENTRADA DE PATOAlexandre Pato entrou no segundo tempo e decidiu o jogo, fraco tecnicamente, com um belo gol2. INEFICIÊNCIA SUECAOs suecos criaram chances e chegaram a assustar em alguns momentos, mas falharam demais nas finalizações3. ATUAÇÃO DE DIEGOO meia foi destaque numa equipe apagada, ao criar oportunidades, chutar a gol e empurrar o Brasil para o ataque

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