Pato testa jetsurf e acredita que prancha será o futuro das ondas grandes

Surfista usa equipamento no Havaí e fica encantado com as possibilidades

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2013 | 09h47

O surfista Everaldo Pato está testando uma prancha que pode elevar para outro patamar a busca por ondas grandes. O jetsurf é um equipamento que possui motor acoplado e que consegue projetar o atleta na onda sem que exista a necessidade dele ser puxado por um jet ski. Em testes no Havaí, entre uma gravação e outra do programa Nalu pelo Mundo, do Multishow, Pato ficou encantado com o equipamento e confessou que muitos surfistas locais vieram ver de perto a novidade tecnológica. Nesta entrevista exclusiva, ele explica como funciona o jetsurf e o que isso pode mudar na busca pela onda perfeita.

ESTADÃO - Como surgiu a ideia de usar o jetsurf em ondas grandes?

PATO - Sempre gostei muito de experimentar coisas novas, estou sempre em busca de motivação e nada melhor para me motivar do que novas ideias, novos brinquedos e sensações novas. Um amigo me comentou sobre essa prancha, pesquisei por informações e achei super interessante. Coincidentemente, as pessoas que representam a prancha no Brasil eram amigos de amigos e me procuraram para me mostrar o equipamento. Achei simplesmente irado à primeira vista, porém como estava embarcando para o Havaí não tive tempo de testá-la. Então surgiu a ideia de levarem a prancha ao Havaí para que eu pudesse testá-la.

ESTADÃO - Qual a sensação de não precisar do jet ski para entrar numa onda grande?

PATO - A ideia inicial era apenas usá-la em ondas pequenas, porém o equipamento respondeu muito melhor do que todos imaginavam. Em uma semana surfamos ondas de até 6 metros, foi incrível. É quase um sonho, pois durante toda minha vida de atleta profissional de ondas gigantes sempre pensei como seria entrar em uma onda gigante sem precisar de um piloto (parceiro) no jet ski. É como ter sua própria prancha com motor e entrar na onda a hora que quiser, onde quiser, na velocidade que quiser, e isso foi muito legal. Eles conseguiram juntar tudo no mesmo lugar, uma prancha rápida, super tecnológica, e com isso basicamente não preciso mais de um jet ski. Agora estamos trabalhando na evolução da prancha acho que muito breve teremos ótimos retornos.

ESTADÃO - Como foram os testes no Havaí? Como foi a receptividade dos outros surfistas?

PATO - Foi um verdadeiro sonho entrar em uma onda gigante com sua própria prancha a motor, é uma evolução e tanta, e estamos só no começo. Temos muito o que evoluir, porém com certeza em um futuro próximo estarei pegando ondas bem acima do limite que conhecemos. Tudo que é novo tem um certo preconceito no início, principalmente dentro da comunidade do surfe, mas no geral foi um sucesso, pois todo mundo vinha perguntar sobre a prancha. Fiz uma sessão em um Outer Reef (onda que quebra no meio do Oceano) em um fim de tarde que foi demais. Quando saí tinha um fila de havaianos na praia me esperando para ver o que eu estava usando. Eles ficaram impressionados com o equipamento.

ESTADÃO - Quem criou o jetsurf e quais as características da prancha?

PATO - Ela criada em 2008 pelo Martin Sula, um grande engenheiro mecânico da República Checa que trabalhou na Fórmula 1. Ele aplicou um motor a um windsurfe, e a partir daí foram alguns anos até a prancha que estou usando no momento. Ela pesa 14 kg, mede 1 metro e é toda em fibra de carbono, inclusive a maior parte do motor. Usa 2 litros de gasolina que proporciona uma hora de surfe. A bateria de lítio é recarregada pelo motor, dura quatro horas, e em uma lagoa, por exemplo, você pode chegar a 50 km/h, dependendo do modelo da prancha. Se juntando a velocidade da onda no mar, pode chegar a 60 km/h.

ESTADÃO - Quais melhorias podem ser feitas na prancha?

PATO - As que foram utilizadas no Havaí eram todas protótipos e estão em desenvolvimento. Estamos trabalhado em vários aspectos, desde o filtro de ar até o próprio design da prancha. Tem bastante coisa para evoluirmos sempre, principalmente se tratando de um equipamento tão tecnológico. Mas a prancha que tenho no momento já tem trazido muita alegria para mim. Tenho feito sessões memoráveis.

ESTADÃO - Você acha que o jetsurfe pode levar o surfe de ondas grandes para um outro patamar?

PATO - Sem dúvida. Estamos trabalhando para isso e acho que em um futuro bem próximo teremos muitas surpresas.

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