Patrícia Amorim reclama da conduta do presidente do Flamengo

Ex-atleta olímpica e pentacampeã sul-americana de natação nega ter pedido demissão do clube carioca

Bruno Lousada, AE

28 de janeiro de 2009 | 12h43

Patrícia Amorim dizia que estava há três dias sem dormir por causa da crise nos esportes olímpicos do Flamengo. Esperava, então, descansar nesta terça-feira, depois de uma segunda-feira produtiva. Afinal, ela costurou acordo para manter os ginastas Diego Hypólito, Daniele Hypólito, Jade Barbosa e Victor Rosa no clube carioca e contornou uma ameaça de greve da equipe de basquete, insatisfeita com os salários atrasados.Veja também:Fla anuncia troca no comando dos esportes olímpicosGinastas comemoram parceria entre Flamengo e NiteróiEla pensava que o pior havia passado. Mas, enquanto jantava com a família na noite de segunda-feira, Patrícia Amorim soube que o presidente do Flamengo, Márcio Braga, anunciara sua saída e empossara João Henrique Areias como o novo vice-presidente de esportes olímpicos do clube. E ficou perplexa com a notícia. "Ele [Márcio Braga] errou. Inclusive pela forma como [a demissão] foi feita", reclamou.Em nota oficial divulgada na noite de segunda-feira, o presidente do Flamengo informou que Patrícia Amorim havia solicitado seu desligamento poucas horas depois de participar do anúncio oficial da parceria do clube com a Prefeitura de Niterói - patrocínio que garantiu o emprego dos ginastas, que, aos poucos, tentam voltar à rotina de treinos depois dos conturbados dias em que estiveram com o futuro indefinido. Ex-atleta olímpica e pentacampeã sul-americana de natação, a carioca Patrícia Amorim, de 39 anos, nega que tenha pedido para deixar o cargo no Flamengo. "Chega a ser um absurdo ele [Márcio Braga] dizer isso", rebateu ela, reeleita para o terceiro mandato de vereadora do Rio pelo PSDB. AE - Você pediu demissão?Patrícia Amorim - Claro que não. Chega a ser um absurdo ele [Márcio Braga] dizer que aceitou meu pedido de demissão, quando, na verdade, não solicitei isso. Fiquei no clube na hora mais difícil, ajudei a resolver os problemas e vou sair na hora em que as coisas estão melhorando? AE - O fato de você pensar em se candidatar à presidência do Flamengo pode ter sido decisivo para sua demissão? É um ano de eleição.Patrícia - Não tenho dúvida de que influenciou. Mas tenho o direito de pensar nisso. É legítimo. Sou voluntária, benemérita, trabalho no Flamengo há anos e fui atleta do clube. Mas não estava lá por causa da eleição. AE - João Henrique Areias queria convidá-la para trabalhar com ele. Vai aceitar?Patrícia - É uma situação desconfortável. Ninguém conversou comigo sobre a vinda dele. Foi colocado goela abaixo. Não consigo entender até agora. Não faltou competência no meu trabalho. AE - Faltou o quê?Patrícia - Faltou marketing e uma situação financeira mais razoável do clube. Mas não faltou empenho. Não fui covarde de sair na hora errada. Seria fácil desistir. AE - Por que o Flamengo vive uma crise nos esportes olímpicos?Patrícia - O problema do Flamengo não é modelo de gestão, como ele [Márcio Braga] diz ser. Não é também questão técnica, pois temos excelente treinadores e excelentes atletas. É um problema financeiro. AE - Falta mais esforço da diretoria para buscar recursos?Patrícia - Claro. O marketing teria de ter um trabalho exaustivo em função do esporte olímpico. No entanto, pensa-se somente em futebol.AE - É cultural?Patrícia - Sempre foi. Somos resistência ali (dentro do clube) para existir, funcionar e combater. E a partir do momento que começamos a resolver coisas difíceis, fomos incomodando. Essa é a questão. O interesse sempre é grande no futebol porque envolve cifras altíssimas. Já os olímpicos dão trabalho e as pessoas não querem isso. AE - Qual sua avaliação sobre a gestão Márcio Braga?Patrícia - Seria oportunismo fazer análise sob emoção. Mas, no meu caso, ele errou. Inclusive da forma como [a demissão] foi feita. Foi muito ruim para o clube. Para a Patrícia, eu administro.AE - E agora?Patrícia - Meu dia de hoje foi vazio. Ainda penso se o ginásio está funcionando bem, se a equipe de ginástica teve uma boa viagem... É muito difícil. Mas vou continuar frequentando o Flamengo, minha casa. Agora, vou ficar fiscalizando.

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