Elsa/AFP
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Patriots, de Tom Brady, vai em busca do seu 6º caneco no Super Bowl 52

Campeão no ano passado da NFL, New England é favorito neste domingo, diante do Eagles, às 21h30

Felipe Laurence e Gabriel Melloni, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2018 | 07h00

Um dos maiores eventos esportivos da atualidade, o Super Bowl terá sua 52.ª edição disputada neste domingo. O confronto entre New England Patriots e Philadelphia Eagles, às 21h30 (de Brasília), em Minneapolis, atrairá olhares de todo o planeta, seja para conhecer o novo campeão da NFL, acompanhar o espetáculo ou assistir ao show de Justin Timberlake no intervalo. A ESPN faz a transmissão da partida.

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Os números que envolvem o Super Bowl impressionam. O evento gira bilhões de dólares em direitos de transmissão, propagandas, ingressos e apostas. No ano passado, 111,3 milhões de pessoas assistiram à decisão em 130 países. Em Nevada, especula-se que R$ 15,3 bilhões serão gastos em apostas no jogo.

De acordo com Danyel Braga, gerente sênior de Patrocínios da CSM, empresa especializada em Gestão e Marketing Esportivo, o SuperBowl é uma das plataformas de negócio mais bem-sucedidas em todo mundo. Ele afirma que cada segundo de um comercial de intervalo da partida custa cerca de R$ 600 mil. "Para o SuperBowl 52, a expectativa é de um faturamento superior a R$ 1,5 bilhão em publicidade, tudo isso com o objetivo de capturar a atenção dos cerca de 170 milhões de telespectadores em todo o mundo. O Brasil o terceiro mercado consumidor da NFL", diz o especialista.

Em 2017, os fãs da NFL acompanharam a dinastia de Tom Brady, senhor Gisele Bündchen, e seu Patriots ser ampliada em partida memorável. Diante do Falcons, o time perdia por 25 pontos no terceiro período, mas foi liderado pelo quarterback a uma virada histórica, que garantiu o 5.º título da franquia.

Após ser a 199.ª escolha no Draft de 1999, Brady se tornou lenda na dinastia do Patriots. Ao lado do técnico Bill Belichick, levou uma equipe que havia perdido duas decisões a cinco conquistas. Por isso, aos 40 anos, Brady quer aproveitar a fase sem pensar em parar.

“Eu sei que sou um pouco mais velho que a maioria, mas estou me divertindo. Gosto da experiência de jogar este jogo. É um sonho que se tornou realidade. É preciso trabalho duro para chegar aqui. Não penso em aposentadoria. Penso em vencer o jogo mais importante do ano”, comentou.

Sob a batuta de Brady, o Patriots festejou as temporadas de 2001, 2003, 2004, 2014 e 2016, e foi vice em 2007 e 2011. O quarterback fez o time se tornar o segundo maior vencedor do Super Bowl, atrás apenas do Pittsburgh Steelers – seis títulos.

O Patriots é favorito. Afinal, o Eagles nunca venceu um Super Bowl e disputa a decisão apenas pela terceira vez. Em 1980, foi derrotado pelo Oakland Raiders por 24 a 10, e em 2004, caiu diante do Patriots, por 24 a 21. Nada representa melhor a diferença entre Patriots e Eagles do que o confronto dos quarterbacks. Se Brady é o símbolo da maior dinastia da NFL nos últimos tempos, Nick Foles teve dificuldade para encontrar seu espaço na liga e cogitou a aposentadoria antes de ser contratado para a reserva do time da Filadélfia nesta temporada.

Ele foi escolhido pelo próprio Eagles no Draft de 2012, mas acabou preterido. Rodou sem destaque por St. Louis Rams e Kansas City Chiefs. Estava sem equipe quando foi recrutado em março para a reserva de Carson Wentz, que fez do Eagles a sensação da liga. Ele era cotado para ser o MVP (Jogador Mais Valioso) da temporada quando rompeu o ligamento do joelho esquerdo na semana 14 do torneio. O time foi dado como “carta fora do baralho”, mas garantiu vaga nos playoffs. Foles, o reserva, foi decisivo.

“Há diferentes caminhos e oportunidades na vida. Estou emocionado com o Super Bowl. Não planejei sequer em algum momento que poderia estar nesta situação, mas assim é a vida. Estou agradecido por ter a chance de jogar.”

ANÁLISE: CAIRO SANTOS, BRASILEIRO QUE JOGA NA NFL

A paixão do americano pelo Super Bowl é semelhante ao sentimento do brasileiro na Copa. Tudo para. Há semanas a gente vê as pessoas com as camisas dos rivais. Para um atleta, é um sonho. A gente perdeu nas quartas de final. Chegamos perto. Todos os jogadores dão mais gás neste jogo. Essa energia ajuda a criar uma disputa bonita. A decisão será interessante. Os times jogam de maneiras diferentes. O Patriots foi dominante nos playoffs. Ninguém tem mais experiência no Super Bowl que Tom Brady, que cria o favoritismo. A equipe tem estrelas, mas sofreu com contusões. O Eagles é mais completo, no ataque e defesa, e vem jogando bem. Tudo depende do quarterback Nick Foles, que alternou jogos bons e ruins. Se tivesse de apostar, seria no Patriots.

PARA ENTENDER: COMO FUNCIONA O FUTEBOL AMERICANO

O futebol americano surgiu como um jogo primo do rúgbi e do nosso futebol, em 1869, nas universidades dos EUA. Entre várias mudanças de regras, o jogo da época pouco se assemelha à modalidade campeã de audiência atualmente. O futebol americano tem um objetivo primário que é comum à maioria dos esportes de equipe: marcar mais pontos que o rival dentro do período determinado de disputa.

A NFL tem 32 times divididos em duas conferências: Americana e Nacional, cada uma com 16 associações. Cada conferência é subdividida em quatro partes com quatro equipes cada. A temporada tem duração de 17 semanas, com cada time fazendo 16 jogos. Os seis melhores de cada conferência — quatro campeões de divisão e os dois melhores na sequência — se classificam para os playoffs, que culminam com o Super Bowl (52.ª edição neste ano).

O jogo é iniciado com um kickoff, chute longo onde o time que ganhou a saída dá a primeira posse de bola ao oponente. Com a posse, o rival tem de ir avançando em campo até chegar à end zone, linha de fundo que marca a zona de pontuação.

Para manter seu ataque em campo, cada equipe tem quatro chances de avançar dez jardas. Os times podem fazer isso de duas maneiras: lançando passes ou correndo com a bola. Uma peculiaridade é que as equipes só podem fazer um passe para frente por jogada. Se conseguirem avançar as dez jardas, ganham novas quatro oportunidades para avançar mais dez até a end zone.

Quando uma das equipes consegue entrar na en dzone — ultrapassando a linha de fundo — ela marca o chamado touchdown, que vale seis pontos. Após o touchdown, o time tem duas escolhas de jogada: pode tentar um chute a gol, chamado de extra point, que vale um ponto adicional; ou tentar entrar novamente na end zone e marcar mais dois pontos adicionais.

Caso o time não avance as dez jardas necessárias para manter a posse de bola, há duas possibilidades: ele manda a bola para o rival com um punt, chute curto e direcional que tem como objetivo jogar a bola o mais fundo possível para tornar a campanha ofensiva do adversário difícil; ou, se o time estiver em boa posição de campo, pode tentar um chute a gol, chamado de field goal – vale três pontos.

Defensivamente, o objetivo das equipes é parar os ataques. A variação tática dos times é enorme, mas o princípio básico é que, exceto o quarterback, os jogadores defensivos não podem segurar os atletas do ataque. Eles podem forçar uma mudança de posse de bola antes do punt caso consigam interceptar um passe que o quarterback adversário lançar. Ou forçar um fumble – tirar a posse de bola de um atleta que a está segurando.

Para ajudá-los na partida, cada time tem três pedidos de tempo em cada metade do jogo, e pode utilizá-los a qualquer momento. As equipes fazem isso para uma melhor leitura da disputa. Além disso, os adversáriros possuem dois desafios que podem ser utilizados para a arbitragem rever eletronicamente algumas jogadas específicas (a maioria envolvendo a bola, como posse ou posicionamento dela).

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