Patrocínio, fonte crescente de renda

Clubes do País ganham cada vez mais com parcerias. Em 2009, foram R$ 270 milhões, 14% do faturamento

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2010 | 00h00

A receita com patrocínio direto e publicidade vem ganhando importância no caixa dos clubes brasileiros. No ano passado, a entrada de recursos advindos dessas parceiras representou 14% do total do faturamento - foram arrecadados R$ 270 milhões. Seis anos antes, em 2003, quando o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado no sistema de pontos corridos, a quantia obtida foi de R$ 71 milhões e não passou de 9% da receita.

Os valores foram levantados por meio de projeção da consultoria em gestão esportiva Crowe Horwath RCS, que usou como recurso balanços dos 20 maiores clubes do País, a maioria participante da Série A do Brasileiro. "Esse crescimento é natural, ainda mais com um cenário econômico favorável"", analisa o consultor Amir Somoggi. "E também há maior atenção dos clubes para o dinheiro advindo de patrocinadores.""

O levantamento mostra, porém, que na divisão do bolo as fatias têm tamanhos bastante diferentes. O Corinthians, por exemplo, conseguiu em 2009 uma receita com patrocínio e publicidade de R$ 49 milhões. Já o Grêmio, o oitavo mais bem-sucedido, embolsou apenas R$ 10,3 milhões, menos que o São Caetano, que obteve R$ 10,9 milhões.

Acordos como o do Corinthians, de padrão europeu, ainda são minoria, mas estão ocorrendo cada vez no futebol brasileiro. O São Paulo, por exemplo, fechou contratos em 2009 no valor de R$ 31,3 milhões. "O nível de profissionalismo na Europa é muito maior, mas os números não são tão diferentes"", diz Amir. "O nível de desenvolvimento deles é que é incomparável.""

O detalhe é que a CBF, por conta da seleção brasileira, consegue contratos bem mais interessantes do que os clubes a ela filiados. No ano passado, somente a entidade abocanhou R$ 165 milhões em patrocínio. E há potencial para dobrar esse valor. Em 2003, por sinal, o valor obtido pela CBF, R$ 80 milhões, foi maior que o da soma dos clubes (os R$ 71 milhões).

A evolução dos valores pagos aos clubes tem sido animadora. Entre 2008 e 2009, o crescimento com as cotas de patrocínio e publicidade foi de 29%. E as perspectivas para o futuro, pelo bom cenário econômico e a organização, pelo Brasil, da Copa de 2014, são ainda melhores.

Futuro promissor. De acordo com a projeção da Crowe, ao fim deste ano de 2010 os clubes terão arrecadado entre R$ 313 milhões (no pior dos cenários) e R$ 355 milhões. Para 2011, a perspectiva é fechar com valores entre R$ 355 milhões e R$ 415 milhões.

Os recursos chegam aos clubes basicamente de duas maneiras: em dinheiro ou pelo fornecimento de material esportivo.

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