Paula volta com aval ao Centro Olímpico

Paula está de volta ao esporte, ao Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa do Ibirapuera e ao sonho que mantém de capacitar espaços e formar atletas para seleções brasileiras. A diretora que retorna é muito bem recebida pelos funcionários, todos prontos para um beijo, um abraço, para contar e saber de novidades, para apresentar opiniões. "Estava sentindo falta deste meio do esporte", diz a ex-jogadora de basquete - uma das melhores do mundo -, convidada diretamente pelo prefeito José Serra, para quem já foi avisando: "Não sou política, não quero o cargo com intenções políticas, não adianta me cobrar postura política."Serra lhe disse para "ficar sossegada" com relação a isso. Assim, nesta segunda-feira, Paula assume novamente o cargo que exerceu entre janeiro de 2001 e maio de 2003, de onde saiu para o Ministério do Esporte - que deixou depois de apenas cinco meses, com muitas críticas por não conseguir trabalhar.Aos 42 anos, Maria Paula Gonçalves da Silva retoma seu trabalho no Centro Olímpico - que em 2001 encontrou literalmente em ruínas. A ex-jogadora colocou o local em condições de funcionar para cerca de mil crianças e adolescentes, depois do abandono de uma década. Com dois anos e quatro meses de trabalho e parcerias, viabilizou reformas e reergueu o local, fazendo peneiras e montando equipes de 11 esportes. "Agora vamos precisar de um espaço com mais altura para a ginástica artística; reformar os pisos de paviflex das quadras para evitar problemas de joelho, tornozelo, coluna; conseguir um tatame olímpico; continuar arrumando a piscina; tentar aproveitar a pista de atletismo que ia para a Vila Olímpica Mário Covas e está enrolada..."Paula ainda não assumiu o Centro Olímpico, mas já está muito bem informada. Até acha que Ana Moser, ela também ex-jogadora de Seleção Brasileira, mas de vôlei - que a substituiu de maio de 2003 até agora -, poderia ter divulgado mais que nestes quatro anos 123 atletas saíram do Centro Olímpico para grandes clubes de São Paulo. "Queremos também mais parcerias e ajudar os técnicos com cursos. O Fábio, do vôlei, por exemplo, ?se descabela? todo fim de ano porque perde um monte de atletas... Mas esse é o nosso trabalho. E não precisa de muito dinheiro. Dá para se formar atletas, técnicos. É a nossa função ser ponte, dar visibilidade. Vamos ver agora se conseguimos reativar o Adote um Atleta. Assim, aqueles que se destacarem, até como motivação receberiam alguma bolsa, fora lanche e ônibus."O Centro Olímpico - lembra Paula - também está completamente aberto à pesquisa. "Temos material humano. Queremos parcerias de faculdades, universidades. Se pensamos em construir cinco Centros de Alto Rendimento pelo País, é preciso ver que aqui já existe um. Que temos instalações pelo Brasil, mas é preciso manutenção para que não virem elefantes brancos. Muitas instalações esportivas viram outra coisa, não formam atletas."Para recomeçar, a diretora conta com o apoio imediato de Marco Tortorello, secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação, para liberação de R$ 200 mil. "É a contrapartida obrigatória para que o Centro Olímpico possa utilizar o R$ 1 milhão do governo federal, já liberado através da Caixa Econômica. O Marquinho é despachado, já foi ver no departamento financeiro da prefeitura."Convite - Paula não quer que se fique martelando nos meses que ficou no Ministério do Esporte e pouco conseguiu fazer, cobrada por uma postura política. Assim, conta o convite do prefeito Serra: "Eu estava almoçando ali na Oscar Freire quando me chamaram no celular. Até fui lá fora por causa do barulho. Era o Serra me convidando para voltar.Eu quis conversar, também porque fiz um projeto de esportes para uma universidade. E porque não queria que as pessoas ficassem falando que voltei por política."A ex-jogadora conta: "Depois do Ministério, desencanei. Fui tocar minha vida, fazer palestras,. criar projetos sociais em Piracicaba, Diadema. Fora a clínica de estética em ?Pira? e a gráfica rápida em Campinas." Paula ri. "Mas estava sentindo falta de horários, do dia-a-dia. Só que sempre me preocupo em não aceitar qualquer coisa, porque tenho minha filosofia de vida. Então, fui lá conversar com o Serra."E acertou a retomada de seu próprio trabalho. "Volto para o Centro Olímpico com uma sensação boa, porque parece que tinha largado o barco na metade do caminho. É gostoso a gente se sentir útil, voltar a se envolver com formação de crianças, atletas, querendo capacitar as pessoas para que evoluam junto com o espaço público. Agora chego na dianteira, com bagagem totalmente diferente da primeira vez. Mas continuo sonhando."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.