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Paulistão, uma ideia

E lá se foram 19 rodadas disputadas, três meses da temporada de futebol e uma sufocante série de partidas sem sentido até o Campeonato Paulista encontrar oito equipes aptas a disputar o título deste ano.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2013 | 02h05

Com os quatro grandes garantidos, além da Ponte Preta, o mais estável clube do interior, a caminho da fase final desde o início, a graça estava em descobrir os donos das três vagas restantes, que ficaram com Mogi Mirim, dono de ótima campanha, Botafogo e Penapolense.

Agora, nas quartas de final e nas semifinais, uma única rodada eliminará os clubes.

As 23 datas disponíveis não são mais suficientes para abrigar o sistema idealizado para prolongar a vida útil dos times pequenos.

A ideia de mantê-los em atividade por mais tempo é ótima, mas evidencia o gigantesco desequilíbrio que vem matando o torneio.

É simples entender a situação: são 190 jogos de classificação e somente oito até o campeão levantar a taça.

Tradução: 96% de embates com raríssimos momentos de emoção contra 4% que valem o ingresso.

O problema é a fórmula de disputa sustentada por um número excessivo de jogos inseridos no período mais importante da preparação para a temporada.

A solução não é acabar com os campeonato estaduais, mas dar a eles a devida importância, que varia de acordo com a agenda de cada participante.

É bem provável que a salvação do Mogi Mirim não tenha significado para o São Paulo.

Uma das alternativas é diminuir a primeira fase. Com os 20 participantes dispostos em dois grupos, jogando um contra o outro.

Depois de dez rodadas os quatro melhores de cada chave iniciariam o sistema eliminatório até surgir o campeão.

Com 16 datas teríamos um Campeonato Paulista mais inteligente, mais emocionante e mais rentável. Até os patrocinadores iriam gostar da ideia.

E os desclassificados depois da fase de grupos? Acabaria o campeonato para eles? Claro que não.

As 12 equipes lutariam arduamente para permanecer na disputa da Primeira Divisão.

Acomodadas em três grupos de quatro, em jogos de ida e volta, rebaixando os últimos colocados, apenas três clubes, situação que obviamente teria reflexos na Segunda Divisão.

É só um desenho de torneio, não vai agradar a todos. O objetivo aqui é mostrar a possibilidade de melhorar o "produto" e torná-lo mais gostoso de assistir.

Basta ter vontade de fazer e, acima de tudo, de pensar.

Não podemos continuar fingindo que está tudo bem em partidas com 800 pagantes.

O público sabe onde colocar seu dinheiro.

Não fosse o Corinthians, conduzido pela onda da Taça Libertadores, do Campeonato Mundial e de um bem-sucedido projeto de sócios-torcedores, a média do Campeonato Estadual seria baixíssima.

Expectativa. Agora nos resta esperar para ver como Palmeiras, São Paulo e Corinthians vão se comportar tendo pela frente compromissos bem mais importantes na competição sul-americana.

Para Santos e Ponte Preta, o Campeonato Paulista é o que existe de mais importante, enquanto ainda esquenta a Copa do Brasil.

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