Paulistas vivem clima tenso

Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras, além de mal colocados, sofrem com troca de farpas entre jogadores

Anelso Paixão, Vitor Marques e Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

Não bastasse o pior início de Campeonato Brasileiro na era de pontos corridos, com apenas uma vitória em oito jogos envolvendo os quatro grandes, os paulistas ainda sofrem com a turbulência após a rodada do fim de semana. Os técnicos, antes velejando em águas tranquilas, já começam a se preocupar. Tiraram a segunda-feira para aparar arestas. Acesse o canal do Brasileirão e leia mais notícias dos clubes paulistasTerminada a segunda rodada da competição nacional, apenas o Santo André está entre os quatro primeiros. Com os grandes ocupando posições preocupantes - o Palmeiras é o 8º, o Santos, o 10º, o São Paulo, o 15º, e o Corinthians, o 17º -, as trocas de farpas já surgiram. No Corinthians, o técnico Mano Menezes, disposto a acabar com a polêmica após o empate com o Botafogo (0 a 0, no Engenhão), quando alguns jogadores reclamaram de excesso de individualismo na equipe, reuniu o elenco antes do treino de de ontem, em General Severiano, no Rio. O técnico conversou por cerca de 50 minutos. O alvo da revolta no dia anterior foi o lateral-esquerdo André Santos, apontado pelos colegas como egoísta demais - o popular fominha na linguagem do futebol. "Ele poderia ter passado aquela bola para o Ronaldo. E não tem como dizer que não viu", disse o volante Cristian. "Houve egoísmo em vários lances", concordou Chicão. "Se a jogada fosse do Ronaldo, ele tentaria a conclusão, como eu fiz", defendeu-se o lateral.No Palmeiras, o goleiro Marcos voltou a pegar pesado. "Um time que quer ser campeão tem de jogar mais contra os reservas do Inter." E continuou seu ataque. "O time que jogou aqui não merece chegar a lugar nenhum." Mais tarde, reconheceu que seria criticado pelo chefe. "O Vanderlei (Luxemburgo) vai me dar uma bronca por eu estar falando besteiras, mas tenho de falar o que achei." E acertou. O técnico reprovou: "Ele é uma metralhadora. Para o bem e para o mal." Keirrison, também criticado pela baixa produção, foi outro que reclamou do time. "Sozinho não se resolve nada." No Santos, a crise foi ainda pior. Fábio Costa, nervoso com um descuido de Paulo Henrique, que perdeu uma bola perto da grande área, passou os últimos minutos do jogo de domingo contra o Goiás gritando com o garoto. Houve discussão e quando o jogo acabou o goleiro saiu correndo para os vestiários e teria prometido "acertar as contas com ele lá dentro". Para evitar desdobramentos mais graves, os experientes Rodrigo Souto e Roberto Brum voltaram para o campo e impediram que o garoto Paulo Henrique, que ainda estava dando entrevistas, fosse imediatamente para os vestiários."Na roda (jogadores se juntam e oram) nos vestiários, pedi desculpas. O Fábio Costa aceitou e está tudo bem", disse, aliviado Paulo Henrique, ontem, depois de explicar o incidente. "Perdi a bola na entrada da área do Santos e o Fábio Costa ficou nervoso, mas nem gol foi. O Souto e o Brum me disseram para eu esperar um pouco mais para descer aos vestiários porque o Fábio Costa estava esquentado e poderia haver tumulto."O técnico Vágner Mancini também fez questão de mostrar sua participação no episódio. "Sob o meu comando não tem briga no vestiário."No São Paulo, o clima de poucas amizades ficou evidente no lance do gol de Borges, quando o jogo estava 1 a 0 para o Atlético-PR. O atacante não comemorou, talvez em desaprovação às recentes escalações do técnico Muricy Ramalho, que o deixou no banco na estreia contra o Fluminense. O técnico, aliás, vem batendo de frente também com a diretoria. Primeiro disse que só precisava de um reforço. Agora, pleiteia um meia, um lateral e um zagueiro. A diretoria já avisou que o único reforço será o meia Marlos, do Coritiba.

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