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Pedro Matos é a esperança do Brasil no Circuito Mundial de Kitesurfe

Irmão de Kyra Gracie vem fazendo boa temporada e espera contar com bons ventos na disputa do Ceará Kite Pro

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2019 | 09h02

A praia do Preá, no Ceará, será palco do encerramento da temporada do Circuito Mundial de Kitesurfe. Desta terça-feira até sábado, os melhores atletas do mundo na modalidade vão disputar o Ceará Kite Pro, etapa da GKA Kitesurf World Cup. O título está na mão de Airton Cozzolino, do Cabo Verde, considerado o Lionel Messi do kite. Mas o brasileiro Pedro Matos quer aproveitar o fato de competir em um local que ele conhece bem para mostrar serviço.

"Estou bem confiante para o Mundial. Comecei a treinar essa modalidade, a strapless freestyle, somente no ano passado e estava muito perdido em como fazer as manobras. Este ano estou 100% mais confiante e no mesmo nível dos atletas que já praticavam. Estou otimista, sou quinto do mundo agora, e vou tentar uma melhor colocação para o final do ano", avisa Pedro.

Ele vem de uma família de esportistas e sempre esteve em contato com as atividades físicas. Seu pai é Pedro Matos, campeão mundial de voo livre. Ele também é irmão de Kyra Gracie, pentacampeã mundial de jiu-jítsu e atualmente apresentadora de televisão. "Meu pai foi campeão mundial de asa delta, minha irmã campeão mundial de jiu-jítsu, meu avô fazia asa delta, kitesurfe, windsurfe, então sou de uma família de esportistas", conta. 

Ele entrou no esporte aos 4 anos, no surfe, desde então não parou mais. Com 12 anos começou no kite, pois sua família já praticava e ele iniciou junto com o pai e a irmã. "Comecei no kite wave, que é um surfe nas ondas com o kite. Sempre fiz, treinei desde pequeno, fui campeão mundial em 2016, mas aí o Circuito mudou e para ser campeão mundial tinha de fazer as duas. Então comecei a treinar o strapless, que é totalmente diferente, apesar de usar a mesma prancha. Dá salto, não surfa as ondas, e é julgado de maneira diferente, contando cinco manobras e não duas ondas."

Para brilhar no kitesurfe, Pedro garante que precisa treinar e se dedicar muito. "Penso muito na saúde e alimentação. Treino praticamente todos os dias, fazendo vídeo, foto, acabei de finalizar um programa para o Canal Off. A preparação é muito importante também fora da água, para não machucar o joelho, o ombro e o tornozelo. Tenho um personal que está sempre comigo. É uma rotina pesada para não se machucar", continua.

O litoral norte do Nordeste é muito famoso pelos ventos constantes. Até por isso, muitos estrangeiros vêm ao Brasil no inverno no Hemisfério Norte para aproveitar o calor do Ceará e Piauí, principalmente, e suas ótimas condições para a prática de esportes náuticos com vela. "O Brasil é um dos melhores locais do mundo para velejar. O Preá é o melhor lugar para o kite strapless, com vento muito forte e constante. O Rio é ótimo também para o kite wave", diz.

Pedro Matos disputa uma modalidade do kitesurfe que não está cotada para o programa olímpico, mas ele lembra que, caso haja mudanças no futuro, ele poderá brigar por uma vaga para representar o País. Aos 21 anos, ele tem muito tempo de competição pela frente. "Penso disputar o kite olímpico se tiver as mesmas modalidades que treino hoje em dia. A que vai ter em Paris-2024 é o kite foil, que infelizmente não faço. Se tiver uma carreira boa até lá, quem sabe eu não tente uma vaga na Olimpíada", afirma.

Com uma premiação de 25 mil euros (cerca de R$ 115 mil), o Ceará Kite Pro é organizado e produzido pela GL Events, e-Group e 213 Sports. Entre as estrelas do evento estão Airton Cozzolino (Cabo Verde), Mitu Monteiro (Cabo Verde), James Carew (Austrália) e Jan Marcos Riveras (República Dominicana). No feminino os destaques são a já campeã mundial Carla Herrera (Espanha), Charlotte Carpentier (França), Johanna Edin (Suécia) e Frances Kelly (Canadá).

"Ficamos muito felizes em ter conseguido subir o patamar do Ceará Kite Pro já no segundo ano. Em 2018, fizemos história ao ser o primeiro evento da GKA (Global Sports Association) transmitido via streaming. Isso fez com que a maioria dos eventos do Circuito Mundial fossem transmitidos este ano. Além de todo cuidado com a produção e patrocinadores, temos um grande trunfo, que é o local. O Ceará é, sem dúvida, um dos melhores locais, senão o melhor, para a pratica de kitesurfe no mundo", explica Pedro Dau de Mesquita, diretor comercial da 213 Sports.

 

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