Pela Copa do Brasil

O Campeonato Brasileiro de 2009 começa a dar os primeiros passos e, por duas razões, não é possível fazer grandes projeções sobre o seu andamento. A primeira delas diz respeito aos times que vêm poupando jogadores para a Copa do Brasil e a Libertadores. A segunda razão é a incerteza que ronda o futebol brasileiro a cada final de temporada na Europa, quando a famigerada "janela" de transferências se abre e, por ela, vão-se craques e jovens promessas e retornam uns poucos veteranos e atletas com problema de rendimento e adaptação. O efeito da janela é tão óbvio quanto este: o Inter com Nilmar é favorito ao título, enquanto o Inter sem Nilmar seria apenas um dos candidatos. A janela que pode abduzir Nilmar é bem capaz de sugar mais craques para o outro lado do Atlântico, o que mudaria a dinâmica do campeonato. Sorte nossa que, com a crise financeira internacional, a maioria dos clubes da Europa está em dificuldades, o que poderá reduzir o volume de transferências. Enquanto o Brasileiro não decola e com a Libertadores se aproximando da fase em que as onças beberão água - o que ainda renderá assunto para muitas colunas -, vale a pena falar da Copa do Brasil. Até pelo histórico de clubes com menor tradição que se sagraram campeões (Criciúma, Juventude, Santo André, Paulista), é possível notar que a maioria das edições da competição mesclou equipes de ponta com algumas surpresas de última hora. A edição deste ano, no entanto, trouxe para as quartas de final um excelente lote de grandes clubes: Flamengo, Internacional, Corinthians, Fluminense e Vasco. O Vitória, em que pese ser clube de primeira, corria por fora, e agora corre atrás de um milagre. Os franco atiradores são Ponte Preta e Coritiba, ainda que este também seja um clube de primeira. Um deles enfrentará o vencedor do confronto de Inter e Flamengo. No jogo da última quarta-feira, no Maracanã, o ataque gaúcho, cantado e verso e prosa (com razão) por toda a crônica esportiva, parou no impressionante bloqueio montado por Cuca. Há muito tempo não via uma partida tão sólida, do ponto de vista defensivo, como a que os rubro-negros realizaram. E não é dizer que o time jogou na retranca. Pelo contrário. Com Nilmar e Taison anulados, o Flamengo soube atacar nos momentos certos, criando diversas oportunidades. Todas - até um pênalti! - desperdiçadas por atacantes de má pontaria. A essa altura, Adriano deve estar esfregando as mãos, louco para estrear no time do coração e receber aquelas bolas açucaradas que a linha dianteira do Fla recebe e chuta para fora. Mas quem deve estar esfregando ainda mais as mãos são os torcedores rubro-negros, que sonham com um time que combine a pegada defensiva com a capacidade de conclusão do Imperador. O Inter ainda tem o favoritismo, por conta de decidir em casa e do empate sem gols. Só que o Fla não vai a Porto Alegre a passeio. No confronto entre Fluminense e Corinthians, os paulistas saltaram na frente, com o melhor placar possível quando se trata de ganhar por um gol de diferença. Mas a diferença poderia ter sido mais ampla, se o Timão tivesse sido capaz de liquidar o jogo na primeira metade. Na segunda, veio o cansaço e o Fluminense se animou. Poderia até ter conseguido um gol precioso, se Conca e Alan tivessem entrado antes. No Maracanã, a dinâmica será outra, com os cariocas no ataque constante. É bem possível que o Tricolor marque gols, mas algo me diz que, para se classificar, terão de ser três. Porque eu acho muito difícil que sua defesa não conceda ao menos um golzinho a Ronaldo e Cia.

Marcos Caetano, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

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