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Antero Greco
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Pelada no Pacaembu

Vamos supor que você esqueceu de assistir a Palmeiras x Santos, ou não tem pay-per-view, ou cochilou depois do almoço ao som da chuvinha gostosa do domingo. Mais tarde, resolveu conferir os melhores momentos de um clássico tradicional do futebol brasileiro. Viu alguns lances interessantes, para ambos os lados, e ficou com a sensação de que perdeu um bom programa. Não se iluda, nem se culpe, o ócio lhe caiu muito melhor.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h04

Palmeirenses e santistas foram protagonistas de outro desses arrastados jogos quase amistosos em que se transformou a fase de classificação do Campeonato Paulista. As duas equipes têm consciência de que estarão na etapa seguinte e não se dispuseram a fazer um combate de vida ou morte. Já não são extraordinárias e, com algumas baixas (Henrique, Valdivia, Neymar, Montillo, fora os menos votados), se mostraram bem limitadas. Com exceção de uns mais velhinhos no alvinegro (Edu Dracena, Durval, Léo), parecia festival de juvenis. Com erros e acertos próprios da categoria.

O único lance à altura da história de rivalidade apareceu aos 30 e tantos minutos do primeiro tempo, quando Giva, um dos rapazes sob observação do técnico Muricy Ramalho, cravou a testa na bola, à queima-roupa, e Fernando Prass, caído, espalmou. Defesa estupenda, que para os mais antigos remeteu àquela de Gordon Banks, na Copa de 1970, em cabeçada fulminante de Pelé, no Brasil 1 x Inglaterra 0, em Guadalajara. Hummm, a comparação foi um tanto exagerada, vá lá, embora a intervenção do palestrino seja digna de registro!

No mais, o 0 a 0 expôs a limitação de ambos os lados. O tricampeão estadual está sem viço, não se vislumbra nele o frescor da terceira geração dos Meninos da Vila, não salta aos olhos nenhum brilho. Não há surpresa, criatividade, novidade. Essas qualidades continuam circunscritas à presença de Neymar. Ainda bem que tem um jogador excelente, muitos gostariam de contar com ele. Mas essa dependência é excessiva.

O Palmeiras empenhou-se. O elenco é dedicado, ninguém faz corpo-mole, existe boa vontade na rapaziada de Gilson Kleina, todos estão dispostos a acertar. Há carência apenas de qualidade, aquele detalhezinho que distingue equipes com objetivos ousados e que se impõem. A turma verde teve mais iniciativa do que o rival, apertou, foi ao ataque e esbarrou em suas próprias deficiências.

A defesa foi pouco pressionada. O meio-campo combateu, faça-se justiça. Mas que tormento esperar improviso de Charles, Márcio Araújo, Leo Gago ou Wesley! Nenhum tem classe para ser maestro e reger a orquestra. Que, na verdade, está mais para bandinha.

O septuagenário Pacaembu, por onde já desfilaram Pelé, Coutinho, Pepe, Djalma Santos, Dudu, Ademir, nesse duelo de camisas famosas, ficou impassível diante da pelada da tarde de ontem. Assim como o público, que pagou R$ 40 por arquibancada ou tobogã, 100 por numerada descoberta, 200 por coberta! O torcedor ia vaiar, mas deve ter pensado. "Ah, deixa pra lá. Não vou gastar fôlego."

Seedorf brasileiro. O holandês do Botafogo desembarcou por aqui há quase um ano e ontem foi fundamental nos 2 a 1 sobre o Madureira. Ele já percebeu como funcionam as coisas por aqui e se abrasileirou. Como? Conto. Faltavam segundos para acabar o jogo, ia ser substituído e não quis sair por onde o juiz indicava. Levou amarelo, seguiu andando pelo lado oposto e... tomou vermelho. O árbitro teve um momento de glória, pois expulsão é fato raro na carreira de Seedorf.

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