Pelé aprova a mala branca no futebol. 'É um incentivo'

Rei diz ser normal um time receber mais para ganhar, mas abomina entregar o jogo, e isenta São Paulo na derrota para o Fluminense

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Diante da polêmica que toma conta de mais uma reta final do Campeonato Brasileiro, Pelé é bem explícito: abomina entregar a partida para prejudicar o rival. "É um absurdo pensar que alguém ache válido entregar alguma coisa", afirmou. Tanto que o Rei fez um desabafo, como ele mesmo definiu, sobre as críticas da imprensa de que o São Paulo teria facilitado para o Fluminense para prejudicar o Corinthians. "Eu gostaria de registrar aqui a minha tristeza. Isso é um absurdo. O Corinthians não ganhou porque não ganhou. Agora, falar que o São Paulo entregou não é verdade. Os jornalistas deveriam parar com essa brincadeira", pediu.

Se entregar não pode, aceitar as chamadas "malas brancas", porém, é tolerável. E até normal, de acordo com Pelé. "O pessoal confunde entregar o jogo com oferecer prêmio. Isso sempre teve. É como um incentivo para o aluno tirar boa nota", comparou, aproveitando que estava num evento sobre Educação. Ele ainda recordou seu tempo de jogador, quando muitos times, principalmente do interior, pediam já dentro do campo para o Santos colaborar. "Agora posso falar. Era comum pedirem para gente não ganhar, "quebrar essa", porque o time ia cair", lembrou.

Pelé apoia o Brasileiro do jeito que está, com a disputa por pontos corridos em vez do antigo esquema mata-mata. A edição deste ano, aliás, tem agradado ao Rei, tanto na briga dos três times (Fluminense, Corinthians e Cruzeiro) pela liderança, como na parte de baixo da tabela. "Não dá para falar que o Fluminense é campeão. E no descenso também está emocionante. Pena que o Santos não chegou lá (na briga pelo título)", disse o ilustre torcedor santista.

Pelé deu mais uma prova do seu carinho pelo time da Vila Belmiro ao incluir imediatamente o nome de Neymar à lista dos candidatos ao melhor do Brasileirão. Mas o posto deve ser ocupado por um argentino: o meia Conca, do Fluminense. "Ele está numa fase boa. É quem merecer ser o escolhido mesmo."

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