Pelé ataca Ronaldinho, Assis e os clubes

Rei diz ser inadmissível Grêmio, Palmeiras e Flamengo terem entrado no leilão promovido pelo irmão do jogador

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

O suspense sobre o acordo de Ronaldinho Gaúcho para voltar ao futebol brasileiro, outra vez adiado ontem, foi alvo de críticas duras de Pelé. O Rei não poupou o meia e os clubes envolvidos - Grêmio, Palmeiras e Flamengo. "Não é admissível que os clubes brasileiros ainda aceitem estar fazendo leilão por um jogador, é uma maneira muito baixa de fazer o futebol."

Na Vila, onde inaugurou uma nova área no memorial do Santos, Pelé questionou a motivação do ex-jogador do Milan para retornar ao Brasil. "Dessa forma, ele não vai jogar porque é profissional, por amor a um clube ou por voltar a mostrar seu futebol no País, mas vai jogar para quem dá mais", disse. "O Santos sabiamente (não entraria no leilão)... E o São Paulo também não aceita esse tipo de coisa por técnico ou jogador. Se ele gosta tanto do Grêmio, que vá jogar até de graça lá, pois já está com a vida feita."

O ídolo santista citou sua relação com o clube da Vila como exemplo para Ronaldinho. "Não gosto de citar essas coisas, mas joguei de graça no Santos em 1974", lembra o Rei, que tem convite do presidente santista Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro para assinar um contrato como funcionário do clube. "Sou eterno contratado do Santos, nem precisa de contrato."

Faltou foco. Sobre o retorno do craque ao Brasil, ele vê possibilidades de que Ronaldinho retome as boas atuações, que desde 2006 se tornaram cada vez mais raras. "Há três ou quatro anos, depois da Copa, ele perdeu um pouco o foco, e isso afetou o preparo físico. É um grande jogador, mas abandonou um pouco o futebol. Se estiver em boas condições físicas, será útil."

Ao lado do ex-jogador Cabralzinho, técnico do Santos em 1995, Pelé comparou ainda o episódio atual de Ronaldinho com o desmanche no time de 15 anos atrás, que tinha como principal estrela o meia Giovanni. "Fomos vice-campeões brasileiros e houve atletas que não quiseram sair. Mas eles não aceitariam leilões assim, queriam definir logo onde atuariam."

Festa frustrada. Convictos de que o acordo com Ronaldinho Gaúcho seria selado ontem à tarde, muitos gremistas foram ao Estádio Olímpico para esperar pelo anúncio oficial. O clima de euforia tomou conta de funcionários do clube, que autorizaram a instalação de alto-falantes e aparelhos no gramado para preparar o show de apresentação do craque. Pouco depois, porém, tudo foi desmontado por ordem do presidente Paulo Odone, que teria ficado indignado com os preparativos feitos sem que o acordo estivesse efetivamente fechado. Após ter anunciado para ontem sua ida para a Porto Alegre, Ronaldinho e seu empresário e irmão, Assis, teriam pedido um dia a mais para alinhavar as tratativas com o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, que está no Rio para defender os interesses dos italianos.

Segundo Assis, alguns pontos da rescisão de contrato do meia com o time milanês ainda precisavam ser finalizados.

Na briga pelo craque. Flamengo e Palmeiras são os dois outros clubes na disputa para ter Ronaldinho em 2011. A permanência de Assis e Ronaldinho no Rio e a influência da torcida rubro-negra na coletiva de anteontem renovaram as esperanças dos cartolas flamenguistas, que dizem ter feito a melhor oferta. Os dirigentes do Palmeiras garantem ter atendido a todas as exigências feitas por Assis. Mas a tendência mesmo é de que o Grêmio saia vencedor do leilão.

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