Pelé preocupado com o garoto

Rei desaprova o assédio dos empresários a Neymar

Wilson Baldini Jr., O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2009 | 00h00

O futuro de Neymar, a maior atração do time do Santos no clássico de domingo à tarde contra o Corinthians, no Pacaembu, é o grande temor do maior jogador de todos os tempos. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, afirmou ontem, em São Paulo, que está preocupado com o andamento da carreira da sensação santista no Campeonato Paulista. "Trata-se de um jogador diferenciado, mas já está sendo muito assediado pelo empresários", disse o Atleta do Século 20, sobre o jogador de 17 anos. O eterno camisa 10 do clube da Vila Belmiro também não aprova o salário de R$ 80 mil de Neymar. "Ele ainda é muito novo. É um dinheiro muito maior do que ganhávamos na minha época", lembrou. Dentro de campo, Pelé considera o início da carreira de Neymar muito parecido com o de Robinho, que surgiu em 2001, foi campeão brasileiro em 2002 e 2004 e seguiu para o futebol europeu em 2005. "Tecnicamente lembra muito o Robinho quando começou, mas não gosto de fazer comparações, pois acabam exagerando demais." A inteligência quando está com a bola no pé é apontada por Pelé como uma das maiores virtudes do atacante santista. "Ele só precisa encorpar um pouco mais para aguentar a marcação. Mas isso virá com o tempo, naturalmente", comentou.Pelé aproveitou para agradecer a homenagem de Neymar no jogo de domingo, que festejou seu primeiro gol como profissional, no jogo contra o Mogi Mirim (3 a 0), no Pacaembu, quando o atacante santista comemorou com um soco no ar, marca registrada do Rei do Futebol. "Fiquei muito feliz e espero que ele repita esse gesto muitas vezes com a camisa do Santos e da seleção."SEM ÓDIOPelé não confirmou se vai estar no Pacaembu domingo para assistir ao clássico, mas fez questão de relembrar que não vê o Santos perder na Vila Belmiro há três anos. Autor de 50 gols contra o Corinthians durante os anos de 50, 60 e 70, Pelé brincou quando se referiu ao Corinthians. "Eu não fazia muitos gols por que odiava o Corinthians. Como poderia odiar um time que só me tratou bem e de quem fiquei ganhando por 18 anos", divertiu-se, lembrando do tabu sem vitórias corintianas no clássico de 1957 a 1968.Sobre a realização da Copa de 2014 no Brasil, Pelé, que é garoto-propaganda da competição, voltou a defender a realização do Mundial. "Hoje é um grande negócio, que garante a todos os países organizadores melhorias na saúde, transporte e na economia."

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